Empresas decidem divulgar cidade
A partir do próximo ano, empresas de Foz do Iguaçu vão investir cerca de R$ 1,2 milhão anuais para atrair turistas e eventos para a cidade. Esse valor é o dobro do que a Foztur (o órgão público de fomento do setor) aplica anualmente em divulgação - R$ 600 mil.
A criação do Iguassu Conventions & Visitors Bureau foi anunciada ontem, em entrevista coletiva, pelo presidente da Foztur, Miguel Sória, e o presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur), Marcelo Valente. Mantido pela iniciativa privada, esse tipo de organismo já existe em 25 municípios brasileiros. Sua finalidade é divulgar a cidade, com o objetivo de aumentar o número de visitantes e de eventos.
Terceiro parque hoteleiro do Brasil - atrás apenas do Rio de Janeiro e de São Paulo, com 195 estabelecimentos que somam 23 mil leitos -, Foz do Iguaçu perde turistas a cada ano. Em 1987, o Parque Nacional do Iguaçu - que abriga as Cataratas, principal atração da cidade -, recebeu 1,1 milhão de visitantes. Neste ano, esse número não deverá ultrapassar 750 mil pessoas (uma queda de quase 32%).
Nos últimos anos, passamos a sofrer uma concorrência forte de outros destinos no Brasil e até do exterior, como o Caribe (América Central) e Miami (Estados Unidos). O aumento de atrações que tivemos e os investimentos públicos em infra-estrutura não foram suficientes para conter a perda de turistas, avaliou o presidente da Foztur.
Segundo ele, a criação de um organismo privado vai dar a agilidade que o setor precisa. A iniciativa privada é muito mais rápida na tomada de decisões. O setor público precisa cumprir uma série de procedimentos burocráticos, afirmou Sória. Apesar de independentes, Foztur e Iguassu Convention & Visitors Bureau deverão trabalhar em projetos conjuntos. Inicialmente, a entidade empresarial deverá reunir, no mínimo, cem empresas.
Autarquia Além da criação do bureau (termo originário do francês, que se lê birô), a Foztur deverá sofrer alteração em sua configuração jurídica. Atualmente, o órgão é uma empresa de economia mista, que deveria ser mantida com recursos públicos e privados - mas apenas o poder público injeta recursos para a sua manutenção.
A partir do próximo ano, a Foztur deverá ser transformada em autarquia. Com a mudança, o órgão deixará de pagar encargos específicos da iniciativa privada - como INSS, FGTS e Cofins -, obrigatórios para empresas de economia mista.
De acordo com Sória, isso vai permitir uma economia de R$ 500 mil por ano - aproximadamente 15% do orçamento da Foztur, que é de R$ 3 milhões anuais. Ele afirmou também que a mudança não vai afetar a estrutura e os serviços prestados pelo órgão. Também não deverá haver demissões. A Foztur emprega atualmente 71 pessoas. O projeto da nova configuração jurídica será enviada pela prefeitura à Câmara de Vereadores na próxima semana.Ney de SouzaEntrevistaMiguel Sória, presidente da Foztur, e Marcelo Valente, presidente do Conselho Municipal do TurismoValmir Denardin





