Maigue Gueths
De Curitiba
Conscientizar a população para que procure assistência médica como medida preventiva às doenças e não apenas para a cura, informatizar o sistema de saúde com a adoção de cartões magnéticos que tragam todo o histórico médico dos usuários, criar um sistema parecido com o antigo ‘‘médico de família’’ e incrementar o sistema de ‘‘cuidados em casa’’, que visa manter o paciente em casa e não em hospitais. Estas são algumas das alternativas que poderiam tornar os planos de saúde mais baratos sem comprometer a qualidade dos serviços, conforme discutiram, nos dois últimos dias, em Curitiba, diretores e gerentes de empresas de assistência à saúde, hospitais, clínicas e grupos de assistência odontológica.
Os profissionais participaram do I Seminário da Associação Brasileira de Medicina de Grupo do Paraná e Santa Catarina (Abramge-PR/SC), que buscou estabelecer novos conceitos de administração e assistência à saúde, de modo a adequar o setor às normas da lei que regulamenta os planos de saúde. Segundo o presidente da Abramge-PR/SC, Joelson Zeno Sansonowski, a nova regulamentação dos planos de saúde trouxe inovações que vieram encarecer os serviços. Por isso, há uma preocupação do setor em buscar alternativas que reduzam os custos dos serviços sem comprometer a qualidade dos mesmos. As conclusões do seminário serão levadas para o Congresso Nacional do setor, que acontece em novembro, em Pernambuco.
Segundo Sansonowski, as empresas de medicina gastam, hoje, no Paraná e Santa Catarina cerca de R$ 1 bilhão em medicina curativa. ‘‘Se houvesse mais prevenção, poderíamos reduzir estes gastos em 60% a 70%’’, diz. A prevenção, para ele, deve ser feita em parceria com o poder público, que deve incentivar campanhas de vacinação e conscientização da população. Com medidas como essa, ele acredita que os planos de saúde poderão até mesmo reduzir o valor de suas mensalidades, as quais tiveram reajustes consideráveis após a adequação à nova lei.
O prazo para que as pessoas se adequem à nova lei é 2 de dezembro, mas o Ministério da Saúde já está estudando a possibilidade de que os usuários que não quiserem mudar possam continuar com seus planos antigos.
Na Coordenadoria Estadual de Defesa e Orientação ao Consumidor (Procon), as reclamações contra os grupos de saúde são recordes. Do início do ano até ontem, foram registradas em Curitiba 2.729 atendimentos, um aumento de 48% em relação às reclamações no mesmo período de 1998 (1.846). Este ano, as reclamações e consultas sobre renovação ou não cumprimento de contrato foram as campeãs, com 1.066 atendimentos, seguidas pelas dúvidas sobre cobrança (469) e reajustes (341). Hoje, 47% da população têm algum plano de saúde, sendo a maioria em planos particulares. No Paraná e Santa Catarina são cerca de 400 mil usuários, que fazem aproximadamente mil internações mensais.

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