Alexandre Sanches
De Londrina
As duas empresas que exploram o transporte coletivo em Londrina (Transportes Coletivos Grande Londrina – TCGL – e a Francovig) protocolaram esta semana, na Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), um ofício solicitando a revisão tarifária. Anexo ao documento, foi uma sugestão de planilha para análise dos técnicos da companhia, elaborada pela empresa IPK Engenharia de Tráfego, de São Paulo (SP), que apontou uma defasagem na tarifa em torno de 30%, o que elevaria o preço da passagem de R$ 0,90 para R$ 1,16.
A TCGL e a Francovig alegam que o último pedido de revisão tarifária foi feito em junho de 1999, quando os estudos – também realizados pela IPK – já apontavam a necessidade de uma tarifa de R$ 1,12 para promover o equilíbrio econômico do sistema. ‘‘No último reajuste, em agosto de 99, a tarifa subiu de R$ 0,85 para R$ 0,90. O problema que há uma série de fatores que está obrigando a gente a pedir esta revisão’’, comentou o gerente-geral da TCGL, Gildalmo de Mendonça. Entre os fatores que obrigam a este pedido, ele cita os aumentos do óleo diesel, peças, pneus e outros insumos.
‘‘Também tivemos um aumento na quilometragem rodada. Com o crescimento do município, novos percursos são criados e a gente é obrigado a cobrir. E isso não está previsto na tarifa’’, ressaltou, dizendo que o aumento do percurso foi de 165 quilômetros. Ele também ressalta que há a necessidade de se atualizar a frota. Hoje a TCGL e a Francovig juntas possuem cerca de 280 veículos em operação, num sistema considerado 100% integrado.
Para o diretor-administrativo da Francovig, Francisco Henrique Francovig, a defasagem nos valores aumentou com a integração das linhas distritais, após a inauguração do terminal urbano do distrito de Irerê (região sul do município). ‘‘Tivemos um aumento de quilometragem rodada e a demanda de passageiros não cresceu na mesma proporção. Hoje, percorremos 345 mil quilômetros por mês’’, comentou.
Comparando com os custos operacionais de Curitiba, Francovig citou que enquanto em Londrina as empresas pagam 6% de taxa de gerenciamento e o ISS é de 3%, na capital paranaense o ISS é isento para as empresas de ônibus e a taxa de gerenciamento está em torno de 4%. ‘‘Isso influi diretamente no preço da tarifa. Se formos comparar com os sistemas e estivermos na mesma condição de trabalho, temos 15% a menos no valor’’, ressaltou. Sem falar nos salários dos motoristas e cobradores, que segundo as empresas, são os melhores da categoria.
‘‘Estamos somente pedindo que façam a análise do nosso estudo e verifiquem os índices utilizados e que autorizem este reajuste’’, comentou Gildalmo Mendonça. Francovig espera que a Comurb faça o calculo sobre uma planilha real do sistema para que as empresas não fiquem na condição de apresentar um valor para receber outro mais baixo.
Na Comurb, os diretores não quiseram comentar o pedido das empresas de transporte coletivo. A assessoria de imprensa somente confirmou que o ofício foi protocolado anteontem e que a empresa tem 15 dias para fazer a análise do pedido e então dar o parecer definitivo. Os diretores informaram, através da assessoria, que a solicitação das concessionárias não significa que haverá aumento da tarifa de ônibus.

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