EMPRESAS DE ÔNIBUS Estratégias para recuperar passageiros
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domingo, 30 de janeiro de 2011
Luciano Augusto e Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Londrina - Em 2013, o ônibus comemorará um século de história no Brasil, onde desde a Segunda Guerra reina absoluto no transporte de passageiros. Venceu estradas de terra, superou rodovias mal conservadas e hoje briga com dois concorrentes de peso: as companhias aéreas e a indústria automobilística. Para fazer frente ao desafio, as empresas de transporte rodoviário apostam em pontualidade, mais espaço aos passageiros e atenção diferenciada aos usuários.
Conforme dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), 92% dos passageiros de viagens intermunicipais e interestaduais usam o ônibus como meio de transporte. Nos últimos anos, a melhoria geral da renda proporcionou que mais pessoas viajassem. Isso eriçou o mercado e atiçou a concorrência. Mais que depressa, as companhias aéreas lançaram promoções como parcelamentos de passagens e tarifas promocionais. Já os fabricantes de automóveis inundaram o mercado com modelos populares e financiamento a perder de vista.
Por seu lado, o segmento de transporte rodoviário de passageiros se apressou em melhorar a qualidade dos serviços prestados: diminuiu a idade média da frota (hoje em torno de cinco anos); colocou descanso para as pernas nas poltronas; treinou motoristas e pessoal de vendas; e implementou novidades como o sinal gratuito de Internet, lançado pela Brasil Sul Linhas Rodoviárias há pouco mais de dois anos.''O serviço teve aceitação fora do comum'', comemora o diretor da empresa, Estefano Boiko Júnior, que transporta 24 mil passageiros por mês nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
O executivo garante que o momento é de otimismo. ''Temos sete anos de existência e só tivemos um ano, 2009 (auge da crise financeira global), em que não registramos crescimento. Em 2010, crescemos cerca de 10%, bem acima da média do setor'', diz, ponderando que o ritmo deve diminuir nos próximos anos. Ele considera que a agressividade das ''aéreas'' deve aumentar a participação delas no mercado mas prevê que os ônibus não deixarão de ser o principal veículo para transportar pessoas no Brasil, que tem uma malha rodoviária aproximada de 1,8 milhão de quilômetros.
Atual proprietário da Viação Garcia, de Londrina, o empresário Mário Luft reforça que o transporte rodoviário tem muitas vantagens em relação ao aéreo, tais como pontualidade, conforto e tarifas estáveis. Isso tanto para viagens curtas (até 500 km) quanto para médias e longas distâncias. ''Tudo isso faz com que as empresas de ônibus mantenham seus percentuais no mercado e até ampliem, porque o passageiro faz a opção por aquilo que oferece a melhor conveniência para ele'', comenta Luft, cuja empresa transporta mais de um milhão de pessoas por mês em seis estados.
O empresário afirma que a concorrência com os carros populares também interfere no mercado, principalmente em curtos trajetos. Mas que já há ideias sendo implantadas para tentar brecar esta tendência. ''Estamos colocando ônibus mais confortáveis e menores em distâncias curtas para conquistar este pessoal'', cita.
Tanto Luft quanto Boiko Júnior criticam os governos Federal e estaduais. Um exemplo é que, ao contrário das empresas de transporte rodoviário, as companhias aéreas não pagam ICMS. A Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati) pede na Justiça isonomia de tratamento, o que poderia baratear as tarifas de ônibus. Além disso, Boiko Júnior cita como entrave o domínio de linhas por uma única empresa. Ele destaca que a livre concorrência melhora os serviços e derruba custos. Por fim, ambos pedem que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) promova leilões de novas linhas, o que não ocorre há mais de uma década.


