A Associação das Entidades Paranaenses em Auto Gestão em Saúde (Assepas) que representa 23 planos sem fins lucrativos vinculados a empresas públicas ou privadas para seus funcionários informou à Folha que deverá ingressar com uma representação na Justiça contra o que considera radicalismo da Associação Médica de Londrina. Já a Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) classificou a posição da AML de ''total absurdo''.
O presidente da Assepas, Aderbal Paulo Filho, criticou principalmente o fato de a AML reclamar dos atuais preços pagos pelos planos mas, por outro lado, não ter aderido ainda à Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos. Segundo ele, a Associação Médica Paranaense e boa parte dos grandes municípios já teriam concordado com essa tabela. ''Londrina parece que quer ser diferente do restante do Paraná. Não aceita essa tabela e quer receber algo mais'', observou Paulo Filho.
A Assepas argumentou que como é impossível praticar um preço único para todo o país, por razões de economia, foi preciso estabelecer deflatores de menos 20% e menos 30%. De acordo com Paulo Filho, se isso não acontecesse, as caixas de assistência não teriam como absorver o aumento de custos da ordem de 76%. Com o deflator, os custos aumentariam para aceitáveis 36%. Para ele, não há um acordo no Brasil melhor do que o que foi fechado no Paraná que pagaria, por exemplo, R$ 37,50 por consulta. Ele adiantou que sua assessoria jurídica deverá ingressar com uma representação judicial contra a AML, porque a associação estaria boicotando o atendimento para três especialidades urologia, angiologia e neurologia.
Assim como a Assepas, o presidente da Abramge, Arlindo Almeida, também desqualificou as declarações da AML. ''Ninguém é obrigado a trabalhar num local que o proíba de cumprir sua ética profissional e (por parte das empresas) não há qualquer tipo de cerceamento de exames. O que existe, no geral, são controle dos gastos e conscientizações dos médicos de que os recursos são finitos'', afirmou, rebatendo a informação da AML de que os planos estariam barrando muitos exames, sobretudo os mais caros.
Almeida também negou que as empresas formem cartéis para aumentar o poder de barganha junto aos médicos. ''Quem formam cartéis são as entidades médicas para poderem exigir determinados preços'', observou o representante de cerca de 800 planos em todo o país. (L.A.)

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