Empresas começam a repor alimentos
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segunda-feira, 04 de setembro de 2000
Betânia Rodrigues De Londrina 
As empacotadoras de feijão das marcas Alvorada e Grão de Ouro devem repor hoje 3.030 quilos do produto à Prefeitura de Londrina. Na semana passada, a Empresa Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar) alertou a auditoria municipal de que os pacotes de um quilo de feijão contidos nas 1.010 cestas básicas estavam abaixo da classificação negociada.
O proprietário da empacotadora do feijão Alvorada, Altair Gasparetto, de Apucarana, confirmou para hoje a entrega de aproximadamente 1.800 quilos do produto. Segundo ele, a diferença de tonalidade dos grãos identificada pelos técnicos da Claspar é resultado da mistura de diferentes colheitas. Os grãos são bons e o seu consumo não traria prejuízo algum à saúde. Mesmo assim faço questão de trocar a mercadoria pessoalmente. O gerente da empacotadora do feijão Grão de Ouro, Delcio Seste, disse ontem à tarde que ainda não havia recebido qualquer notificação. Não sei qual o problema identificado e nem as condições em que a mercadoria foi armazenada. Esta foi a primeira vez que recebemos uma reclamação.
Ontem, a prefeitura recebeu 1.350 quilos do arroz Da Avó, referentes à provável diferença nos 10.886 pacotes de cinco quilos já utilizados na merenda escolar. Conforme o técnico metrológico do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), Marcelo Trautwein, os 842 pacotes desta marca apreendidos na semana passada pelo órgão foram devolvidos à arrozeira Scalabrini. Eles foram abertos para que a empresa embale o arroz nas quantidades mencionadas nos rótulos.
Na tarde da última sexta-feira, uma perícia técnica do Ipem verificou a falta de 10 gramas, em média, nos pacotes de arroz das marcas Tuquinha e Santa Ida. Essa defasagem supera a tolerância em vigor no órgão, por isso as empresas foram autuadas e receberão uma multa entre R$ 100 e R$ 50 mil. Ontem mesmo, os proprietários do arroz Tuquinha trocaram a mercadoria sob a inspeção do Ipem. Os responsáveis pela empacotadora do arroz Santa Ida foram procurados para comentar o assunto, mas até as 15h30 não retornaram os telefonemas.
O procurador-geral da prefeitura de Londrina, Arão Moreira dos Santos Neto, esperava receber ontem à tarde os laudos do Ipem, da Claspar e os contratos com a Tawerli para embasar o pedido de abertura de inquérito policial.
Sobre a possibilidade de rescisão do contrato com a fornecedora das cestas básicas, o secretário Municipal de Administração, José Araides Fernandes, disse que esse é um assunto que precisa ser discutido. Isso implicaria numa multa de 20% sobre o contrato que é de R$ 290.655,00, caso não fique comprovada a fraude. O primeiro contrato entre o Comércio Alimentício Tawearli Ltda e a prefeitura data de agosto do ano passado. Sua renovação ocorreu em 28 de junho deste ano e termina em março de 2001. Nesse período deveremos receber 13.500 cestas, o que equivale a 1,5 mil por mês, disse Osvaldo José Carnelocce, diretor de suprimentos da pasta.
Maria de Fátima Saporetti, gerente da Tawearli, se considera vítima nessa história. Ela disse que as notas fiscais são a única garantia da empresa sobre a qualidade e peso dos produtos que adquire. É impossível verificar tudo o que é vendido. É uma relação de confiança, explicou. No caso das irregularidades identificadas nos pacotes de arroz e feijão, ela disse que a Tawearli está fiscalizando a reposição da mercadoria. Estamos há muito tempo no ramo e não podemos deixar que nada prejudique nossa credibilidade. Daqui para frente vamos tomar novas precauções para evitar futuros problemas. A primeira medida foi tomada ontem mesmo. Antes de enviar um novo carregamento de 500 cestas para Londrina a empresa requisitou à Claspar a análise dos produtos que deverão chegar hoje na prefeitura.
A empacotadora do arroz Santa Ida foi contatada, mas até as 16h20 ainda não havia retornado as ligações.


