Empresas cancelam convênio com IML
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quarta-feira, 05 de maio de 1999
Sid Sauer 
As duas funerárias de Campo Mourão que desde o ano passado vinham pagando o salário de um médico legista para o Instituto Médico-Legal (IML) anunciaram esta semana que estão cancelando o convênio a partir deste mês. O anúncio foi feito por um ofício enviado ao Conselho Municipal de Segurança, e volta a ameaçar o funcionamento do órgão em Campo Mourão, o que já tinha acontecido no primeiro semestre do ano passado.
Desistimos do convênio porque não estávamos tendo o retorno esperado, explicou ontem à Folha o gerente das funerárias São Pedro e Sesf, José Sobral. Segundo ele, as funerárias esperavam ter prioridade no atendimento dos corpos que chegam ao IML, o que não estaria acontecendo. Estávamos pagando o médico para outras funerárias da região serem atendidas, reclamou. Era um dinheiro perdido.
As duas funerárias - as únicas de Campo Mourão - começaram a ajudar o IML quando souberam da ameaça do fechamento do órgão, que estava com apenas um médico legista, enquanto a legislação obriga que os laudos sejam assinados por dois profissionais do setor. Cada funerária contribuía com R$ 350,00. Resolvemos ajudar para o IML não ir embora, mas do jeito que estava não compensava nada para nós, frisou Sobral.
O presidente do Conselho Municipal de Segurança, Luiz Gonzaga de Oliveira Aguiar, disse ontem que vai tentar a reativação do convênio. Temos que achar uma saída. Uma das alternativas é dividir os custos do médico com várias funerárias da região e não somente com as duas de Campo Mourão. Se isso não for possível, teremos que voltar à Secretaria de Segurança Pública do Estado para fazer mais esse pedido, ressaltou Aguiar.
O fim do convênio também preocupa o delegado-chefe da 16ª Subdivisão Policial, Roberval Butaccini. A ausência de um segundo médico legista pode trazer sérios transtornos para a população, para a polícia e para a Justiça, destacou. Ele disse que vai comunicar a Divisão de Polícia do Interior (DPI) para tentar impedir que Campo Mourão passe a depender de laudos emitidos em Maringá e Umuarama, o que atrasaria inquéritos e processos.
Butaccini também teme que o único médico concursado para atuar no IML, Miguel Sanders, peça licença caso fique sozinho devido à sobrecarga de trabalho. O delegado também vai pedir à Justiça que aceite, enquanto o problema não for resolvido, laudos assinados por um único legista pelo menos nos casos que tramitam no juizado criminal especial, destinados a crimes considerados mais leves. Se isso não acontecer, o problema será ainda maior.


