Empresas ameaçam boicotar rodoviária
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segunda-feira, 30 de julho de 2001
Sid Sauer De Campo Mourão 
As empresas de ônibus que atuam em Campo Mourão ameaçam não transferir suas estruturas de atendimento para o novo terminal rodoviário da cidade. A rodoviária, que está pronta há 13 meses, vai entrar em operação à meia-noite de hoje, mas a direção do Expresso Nordeste - responsável por metade dos embarques em Campo Mourão - já anunciou que seus clientes devem continuar se dirigindo ao atual terminal, no centro da cidade.
Não aceitamos a maneira intransigente como a Aterfi quer administrar o terminal, disse ontem um dos diretores do Expresso Nordeste, Estefano Boiko Júnior. A Aterfi Administradora venceu a concorrência para gerenciamento da rodoviária por 20 anos. A empresa já pagou R$ 500 mil e vai repassar mais R$ 1,5 milhão ao município pela terceirização.
A reclamação do Expresso Nordeste e das outras empresas é com relação aos preços cobrados pela Aterfi. Segundo Boiko, a administradora está pedindo R$ 105,00 de aluguel mensal por metro quadrado de área ocupada, valor considerado absurdo. Boiko afirmou que uma pesquisa feita em 20 rodoviárias, incluindo algumas privatizadas, mostrou que o preço médio do metro quadrado é de R$ 21,15.
O preço mais caro que encontramos foi de R$ 81,00 em Foz do Iguaçu, que é a outra rodoviária administrada pela Aterfi, ressaltou Boiko. A pesquisa apurou que em Maringá o preço do aluguel do metro quadrado é R$ 16,25, em São Paulo R$ 23,95 e no Rio de Janeiro R$ 23,99. As empresas reclamam também que a Aterfi aumentou o valor das tarifas de embarque. Para viagens acima de 80 quilômetros, a taxa subiu de R$ 0,55 para R$ 1,25.
Boiko disse que uma reunião entre as empresas de ônibus que atuam em Campo Mourão definiu que nenhuma delas vai para a nova rodoviária sem uma rediscussão desses valores. Vamos tomar as medidas necessárias para continuar na atual rodoviária, afirmou o diretor do Expresso Nordeste.
O gerente da Aterfi, Nelson Cunha Júnior, disse que acha normal a pressão das empresas de ônibus. Elas estão mal acostumadas, frisou. Ele negou que os preços dos aluguéis cobrados pela Aterfi sejam caros. Segundo Cunha, a última proposta da administradora é de R$ 52,00 por metro quadrado.
O problema é que as empresas estão contando condomínio como valor de aluguel, alegou Cunha. A Aterfi está cobrando R$ 200,00 de aluguel por um espaço de 3,8 metros quadrados e mais R$ 200,00 pelo condomínio. Segundo ele, o valor oferecido pelas empresas - cerca de R$ 29,00 por metro quadrado, sem condomínio - é irrisório. Prefiro manter a rodoviária fechada, ironizou. Cunha sugeriu que as empresas podem terceirizar a venda de passagens.
De acordo com Cunha, embarcam em Campo Mourão cerca de 800 pessoas por dia. A nova rodoviária terá 40 funcionários e entrará em operação apenas com uma lanchonete em funcionamento.
O procurador-geral da Prefeitura de Campo Mourão, Robervani Pierin do Prado, disse ontem que as empresas de ônibus podem vender as passagens onde quiserem, inclusive na atual rodoviária, mas o embarque e desembarque deverão ser feitos obrigatoriamente no novo terminal. Segundo ele, a definição dos preços de aluguel depende de acordo entre as empresas de ônibus e a Aterfi. A nova rodoviária custou R$ 2,1 milhões à prefeitura.


