Empresas alimentícias são mais competitivas
Empresas alimentícias
são mais competitivas
A famosa broa da Padaria América ou os sequilhos da fábrica de biscoitos Glória foram salvos pela tradição e pelo conservadorismo dos curitibanos. Para a historiadora Roseli Boschilia, coordenadora do Setor de Memória Urbana da Casa da Memória, entre todas as indústrias ou estabelecimentos comerciais que abriram suas portas no início do século na cidade, as empresas do setor alimentício foram as que mais resistiram ao tempo.
Elas conseguiram se manter com uma clientela cativa e sobreviveram à concorrência utilizando a tradição como principal estratégia de marketing, já que isso é muito valorizado em Curitiba, observa a historiadora. Ela cita os casos da indústria Glória (atualmente Picopato), que começou como empresa doméstica, de fundo de quintal, e não perdeu essa característica.
AlemãesSegundo a historiadora, a maior parte das tradicionais empresas curitibanas que surgiram no final do século passado (e que sobreviveram ou não até hoje) é de origem alemã. Os imigrantes que já estavam aqui ou que vieram da Alemanha nesse período injetaram um grande volume de dinheiro na cidade, principalmente na indústria, comenta. Sobrenomes como Mueller, Venski e Essenfelder fizeram parte do cotidiano dos curitibanos durante várias décadas, respectivamente nos setores da fundição, fitas de tecidos e pianos.
Roseli lembra também o caso da rua Riachuelo, na região central da cidade, que originalmente era ocupada por comerciantes alemães, antes da entrada dos árabes a partir da década de 40. O próprio shopping Mounif Tacla era uma casa de negócios de um alemão no início do século. As dificuldades das duas guerras mundiais acabaram afetando os germânicos, que foram desbancados pelos árabes, explica. (G.P.)





