Empresas abandonam lixo ambiental em Jacarezinho
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terça-feira, 25 de março de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Jacarezinho- Pelo menos 15 mil tambores com produtos químicos de duas empresas estão abandonados num depósito na Vila Alves, em Jacarezinho (Norte Pioneiro). Há cinco anos, o Ministério Público (MP) ingressou com uma ação pedindo o fechamento das empresas, com base em vistorias do local e depoimentos de dois ex-funcionários. Conforme o promotor Paulo José Gallotti Bonavides, a denúncia partiu de um ex-funcionário da Resicor Tintas, uma das empresas. Na época, ele teria afirmado que foi orientado pela gerência a despejar cerca de 500 mil litros de líquido poluente no Córrego Ourinhos, vizinho ao depósito.
Conforme o funcionário de um frigorífico vizinho ao depósito, que preferiu não se identificar, é comum ouvir barulhos de explosão vindos do depósito. ''Com a exposição ao sol, os tambores sofrem oxidação e explodem'', comentou. O risco de dengue é iminente, já que não há cuidado algum com a água de chuva que permanece dias parada nas tampas dos tambores. O único funcionário que permanece no local é o vigia, que trabalha apenas durante o dia.
''A Vigilância Sanitária até fiscaliza, mas o agente da dengue não dá conta do terreno inteiro'', comentou o funcionário do frigorífico, ressaltando que o horário mais crítico é o início da noite, quando aparecem mosquitos. ''No começo, o cheiro do produto químico era insuportável, mas já deu até para acostumar.''
Conforme dados do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), a Resicor possui licença de operação desde agosto de 2002. Já a outra empresa, Resimater Tecnologia Ambiental, está licenciada para a recuperação e reciclagem de resíduos oleosos desde novembro de 2003.
Em janeiro de 2004, fiscais do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Proteção ao Meio Ambiente realizaram uma vistoria na empresa e concluíram que os tambores estavam armazenados de forma inadequada no depósito, sem cobertura, e em contato direto com o solo. Muitos estavam deteriorados e enferrujados, provocando vazamentos. Dentro dos barracões, a situação era a mesma.
O laudo apontou ainda que o depósito colocava em risco a população local, pela proximidade com as residências do bairro. Como os tambores não estavam identificados, não foi possível indicar com precisão quais produtos estavam depositados ali, mas o cheiro era forte e desagradável.
A planta industrial também apresentava problemas, já que a empresa não possuía exaustores em número suficiente, sistema de drenagem das águas superficiais, impermeabilização do solo e sistema de exaustão de gases na área onde eram produzidas as tintas.
Ainda em janeiro, um ex-funcionário da Resimater denunciou que a Resicor era apenas uma empresa de fachada para receber resíduos químicos na cidade e que a Resimater armazenava os resíduos. Ele também afirmou ter ajudado a despejar produtos químicos no córrego.
Em fevereiro do ano passado, a Justiça organizou um cronograma para a retirada dos tambores em duas etapas. As duas empresas são representadas legalmente pela empresária Maria Aparecida dos Santos Toledo. A sede da Resimater fica em São Paulo. Por telefone, a empresária afirmou que mais da metade dos recipientes já foi retirada e enviada para um aterro sanitário em São Paulo.
''Fica muito caro levar os tambores até o aterro por isso está sendo feito devagar. Além disso, a chuva atrapalha o transporte e como tem chovido muito, não tem dado para retirar nada'', justificou.
A empresária rebateu as denúncias dos ex-funcionários, alegando que as acusações são infundadas. ''Foi chantagem, nada estava sendo jogado no córrego.''


