Empresários tentam ação contra obras
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de março de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Da Sucursal
Uma ação popular em trâmite na 1ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba, pretende impedir o DNER de iniciar as obras do Contorno Leste. A ação, proposta por um grupo de empresários da Região Metropolitana, é baseada no argumento de que o traçado do Contorno provocará danos ambientais, mas esconde outra preocupação: os empresários, instalados às margens da BR-116, temem perder movimento e dinheiro com o desvio do tráfego pesado da rodovia para o Contorno.
O Contorno Leste será um trecho de 44 quilômetros que deverá ser utilizado especialmente por caminhões que, hoje, atravessam Curitiba por áreas urbanizadas. Com o Contorno, eles fariam um desvio, saindo da BR-116 no Pinheirinho, na região Sul de Curitiba, e entrando novamente na rodovia já em Quatro Barras - ou ao contrário, dependendo do sentido de tráfego.
Dos empresários que subscrevem a ação popular, quase todos têm negócios às margens da BR-116, no trecho que deverá perder o tráfego de caminhões.
Mantido o traçado projetado, vou ter que fechar as portas, diz o empresário Cliceu César Antunes de Lima, dono da Gran Center Pneus, no quilômetro 82,5 da rodovia, em Colombo. Segundo ele, a obra trará desemprego e prejuízos não só para comerciantes, mas para os municípios da região, que perderão arrecadação.
Embora seja a principal preocupação de muitos empresários, o aspecto econômico não aparece na proposta de ação popular. Nela, o grupo argumenta que o Contorno Leste passará muito próximo da represa do Rio Iraí, o que implica a potencial ocorrência de acidentes com cargas tóxicas, óleos e combustíveis, oferecendo risco para o abastecimento público de água. Na ação, também são apontados danos ambientais que o traçado traria para a Floresta Metropolitana.
Os empresários pedem liminar suspendendo a contratação dos serviços para a realização das obras do Contorno. A assinatura dos contratos depende da concessão da licença de instalação pelo Instituto Ambiental do Paraná, que o DNER espera para os próximos dias.
O procurador substituto do DNER, Mário Yoshinori Kuriyama, informou que já tomou conhecimento da ação, mas que o órgão ainda não foi citado oficialmente e por isso não pode se manifestar. O DNER tem garantido que o Contorno não prejudicará o meio ambiente, porque consistirá numa rodovia de classe zero, ou seja, sem acessos que induzam a ocupação. O diretor do órgão no Paraná, João Alberto Sautchuk, também informou na semana passada que está sendo projetado um desvio para preservar a Floresta Metropolitana.


