Lucinéia Parra
De Maringá
O delegado de Jardim (MS), Edson Luiz Lourenço, está em Maringá desde ontem com o mandado de prisão dos empresários Geraldo Régis Maia, 65 anos, e Reginaldo da Silva Maia, 39 anos. Os dois são sócios proprietários dos frigoríficos Frigma e Paissandu, em Maringá. Eles são acusados de dar um golpe de R$ 3 milhões em mais de 200 pecuaristas nos municípios de Nioaque, Jardim, Guia Lopes da Laguna, Bela Vista, Coracol, Porto Murtinho e Bonito, todos no Mato Grosso do Sul.
O mandado de prisão por crime de estelionato foi expedido pela juíza Silvia Xavier Letteriello Linhão, da comarca de Jardim (MS). Geraldo e Reginaldo – pai e filho – são acusados de ter comprado gado de pecuaristas e feito o pagamento através de Nota Promissória Rural (NPR) com 30 dias de prazo para vencimento e com cheques pré-datados. A estimativa é que os dois teriam comprado cerca de 4,5 mil cabeças de gado na região.
Em janeiro deste ano, coincidindo com o vencimento do prazo para o pagamento das NPRs, os donos decretaram falência do Frigorífico Boi Brasil, em Nioaque, e fugiram da cidade. Os pecuaristas constataram que os cheques estavam sem fundos e deram queixa na delegacia.
Durante a investigação, o delegado Edson Luiz Lourenço, designado para o caso, descobriu que o Frigorífico Boi Brasil já mudou de nome quatro vezes e atualmente pertence aos ‘‘laranjas’’ Eudes Joaquim de Lima e Joaquim da Silva. Os dois estão presos em Nioaque.
Eles confessaram que emprestaram os nomes para que Geraldo e Reginaldo comprasse o frigorífico. Em troca, Lima e Silva recebiam R$ 1 mil por mês cada, numa espécie de aluguel pelo empréstimo dos nomes. Os dois afirmaram que deram uma procuração para Reginaldo e Geraldo realizar todos os negócios em nome da diretoria do Frigorífico Boi Brasil.
De acordo com o delegado, Geraldo e Reginaldo têm frigoríficos em São Paulo, Maringá, Campo Grande, Nioaque e várias casas de carnes também em Campo Grande e São Paulo. Só que todas as empresas estão em nome de parentes ou ‘‘laranjas’’. Lourenço pretende convencer os dois a se entregar na delegacia de Nioaque.
‘‘Consegui falar com Reginaldo por telefone e expliquei para ele que era melhor eles se entregarem porque a situação lá é perigosa. Disse a Reginaldo que se eles se entregarem eles têm garantia de integridade física e que é melhor eles responderem o inquérito e justificar através de advogados todos os procedimentos tomados’’, afirmou o delegado.
A Folha tentou entrar em contato com Reginaldo e Geraldo, no Frigorífico Frigma. A secretária informou que Reginaldo está viajando e não tem data prevista para chegar. Quanto a Geraldo, ela disse que ele não costuma ficar na empresa.Donos de frigoríficos em Maringá e Nioaque (MS) podem ter lesado mais de 200 pecuaristas com promissórias frias e cheques sem fundos
Marcos NegriniINVESTIGAÇÃODelegado Edson Luiz Lourenço descobriu que todos os bens dos empresários estão em nome de terceiros

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