A vice-governadora Emília Belinati (PTB) entregará hoje à noite, em Curitiba, ao presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) um documento assinado por empresários de Londrina reivindicando ‘‘atenção especial do governo federal para a solução do verdadeiro drama em que se transformou a falta de equipamentos de controle e auxílio de vôo no Aeroporto da cidade’’.
O documento foi aprovado na tarde de ontem, na sede da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), e conta ao presidente da República que Londrina vive nos últimos meses o ‘‘seriíssimo problema de ter o aeroporto fechado sempre que o mau tempo reduz as condições de visibilidade na região; o que transforma a cidade em refém de um sistema aeroportuário que já deveria ter sido modernizado e devidamente equipado.’’
César AugustoEm terraPor causa do mau tempo, desde sábado vários vôos foram cancelados, causando transtornos a usuáriosNa carta que será entregue em mãos pela vice-governadora, as entidades - Acil, Sociedade Rural, Sinduscon, Clube de Engenharia, OAB e outras - ressaltam que o Aeroporto de Londrina é o que apresenta o maior índice de crescimento no número de pousos e decolagens do País, em consequência da chegada de novos grupos industriais.
Desde o último sábado, o problema do aeroporto local se agravou. Na manhã de ontem, o aeroporto permeneceu fechado para pousos e decolagens. Cinco vôos com grande número de passageiros foram cancelados, e vários outros sofreram atraso no horário. Anteontem, sete vôos comerciais também haviam sido cancelados. Por causa da chuva e do baixo teto, não houve sequer condições de operação por instrumentos.
O superintendente da Infraero em Londrina, Lourival Inácio Briana, garante no entanto que estes cancelamentos de vôos, constantes nos últimos meses, não têm ligação direta com a desativação do equipamento VOR - que auxiliava nas decolagens das aeronaves -, ocorrida há mais de 90 dias. ‘‘As condições de operação do nosso aeroporto estão sendo prejudicadas pelo mau tempo reinante na cidade; é problema de meteorologia que o VOR, se estivesse funcionando, não resolveria. Quando o tempo está totalmente fechado, com teto muito baixo, como ocorreu nos últimos dias, não temos como operar. E isto ocorre em todos os aeroportos do País e do mundo’’, ressalta Briana.
Segundo ele, um outro equipamento - cuja sigla é NDB e antes só auxiliava nos pousos - está operando, com as mesmas condições e qualidade, em substituição ao VOR desativado. ‘‘O NDB foi vistoriado e homologado pelo Grupo Especial de Inspeção de Vôo (Geiv) do Ministério da Aeronáutica para substituir o antigo VOR nas operações de decolagens, e está desempenhando este papel muito bem, dentro de nossos limites de operacionalidade. O problema maior, e sem solução para nós, tem sido o da meteorologia, do mau tempo.’’
Na tarde de ontem, a equipe de 15 engenheiros e técnicos do Ministério da Aeronáutica, que chegou à cidade na segunda-feira, esteve trabalhando na base onde está instalado o VOR desativado, a cerca de 1 km da cabeceira da pista do aeroporto. De acordo com Briana, o equipamento foi tirado do ar não porque esteja quebrado, mas porque vinha apresentando distorções na emissão de sinais que monitorizam a torre de controle do aeroporto e a aeronaves nas decolagens. O trabalho da equipe deve demorar em torno de dez dias.

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