O prédio que a ONG Trabalho para Todos pretende alugar tem pouco mais de 2,3 mil metros quadrados e já abriga um grupo de comerciantes formais. Consultados pela Folha, alguns deles disseram que sequer foram avisados de que podem ganhar a companhia de ex-ambulantes. Se o negócio for fechado nos moldes anunciados pela ONG, as lojas instaladas atualmente também vão ter que passar por adequações que podem inviabilizar algumas empresas.
Este é o caso de uma loja de confecções. O proprietário, que não quis se identificar, disse que abriu na última sexta-feira e que fechou um contrato de locação de três anos. A loja funciona em um espaço de 21 metros quadrados. Segundo ele, não há possibilidade da área ser redimensionada para os 4 metros propostos pela ONG. ''Nem estou sabendo se há ou não negociação sobre o aluguel dos espaços vazios. Mas se o camelódromo vier, eu não continuaria. Não tem condições de manter a loja se o espaço se reduzir. Além do mais, meu produto é de procedência, não é para ser vendido em camelódromo''.
Sônia Maria Zoratti, dona de um café instalado na galeria afirmou não ter sido informada de qualquer negociação. ''Estou aqui há mais de três anos e pretendo cumprir todo o meu contrato.''
Comerciantes vizinhos à galeria também estão irritados. Para o empresário Sinézio Scudeler, o novo empreendimento ''acabaria com a cidade''. ''Vai destruir as feições do Calçadão.''(A.M.)

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