Empresários denunciam 'golpe da lista'
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segunda-feira, 31 de maio de 2004
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Empresários de Londrina estão tendo que cancelar contratos que nem mesmo assinaram. O problema, motivo de muitas reclamações do Procon, é que empresas responsáveis por listas telefônicas e guias enviam os contratos de adesão com as parcelas a serem pagas sem a solicitação dos clientes. As duas últimas vítimas do ''golpe da lista'' foram dois proprietários de farmácias da rede Dom Bosco, Daniel Câmara e Pedro Rodrigues Munhoz.
Segundo Munhoz, ele só soube da existência da empresa Lin Telecomunicações S/C Ltda, de Campinas (SP), no ínicio da semana passada quando recebeu o contrato e um boleto para efetuar o pagamento da primeira parcela da assinatura. No total, o comerciante deveria pagar três parcelas de R$ 190,00, com o primeiro vencimento para ontem. ''No documento tem o meu RG, o CNPJ da empresa e eu não passei nada para ninguém'', afirmou Munhoz. O mesmo aconteceu com Câmara, que relatou que nunca passa dados por telefone, apenas pessoalmente. ''Já recebi outras faturas como esta, mas sempre estava escrito que o pagamento é facultativo'', lembrou.
De acordo com o contrato enviado aos empresários, a adesão poderia ser cancelada, total ou parcialmente, até o 30º dia a contar da contratação mediante o pagamento ou retenção de 33% do valor cobrado. Porém, segundo Câmara, uma de suas funcionárias teria ligado para empresa para explicar que não havia requisitado o serviço e foi alertada que o título poderia ser protestado. A supervisora de vendas da Lin Telecomunicações, Shirlei Soares, admite que os dados podem ter sido repassados por qualquer funcionário sem autorização do proprietário do estabelecimento e que o contrato poderá ser cancelado sem custos para os comerciantes. ''As atendentes ganham por comissão e não temos como monitorar todas para comprovar se ele (empresário) aceitou'', justificou.
O coordenador do Procon em Londrina, Gerson da Silva, aconselhou os dois empresários a ignorarem a fatura. ''Antes enviava cartas pedindo o cancelamento do contrato. Mas não há como cancelar uma coisa que nunca foi assinada'', disse Silva. Ele lembra que está há mais de um ano no cargo e este tipo de ''golpe'' já atingiu vários seguimentos da sociedade. ''Se fosse abrir uma reclamação a cada caso desse, teria pelo menos duas por mês'', disse o coordenador.
Quanto à possibilidade de processar a empresa, Silva acredita que não vale a pena. ''Teria que fazer uma denúncia na delegacia. Aí o delegado teria que intimar os envolvidos através de uma carta precatória... Iria mobilizar todo um sistema que consome o nosso próprio dinheiro. É mais barato para o Estado se, simplesmente, ninguém pagar a fatura'', explicou. Ele acredita que se a empresa não tiver retorno, ela vai parar de fazer isso. A maioria das reclamações é referente a empresas da Grande São Paulo e de Campinas.


