Empresários de transporte se mobilizam contra mototaxistas
Empresários do setor de transporte coletivo de Foz do Iguaçu estão se mobilizando para combater o aumento dos mototaxistas que trabalham ilegalmente na cidade. Estima-se que atualmente 700 pessoas trabalham com motos. Segundo o gerente-geral da Pluma de Turismo, Geraldo Santolin, responsável pala organização de diversas reuniões entre os representantes de empresas, a criação da cooperativa do mototaxistas (Coopermoto) anunciada anteontem vai prejudicar ainda mais o trabalho dos ônibus coletivos, inclusive aqueles que fazem a linha entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este (Paraguai).
Ele disse que as autoridades paraguaias chamaram os empresários brasileiros para discutir o assunto, já que no outro lado da fronteira o serviço foi regulamentado e conta com mais de mil motociclistas trabalhando. Recusamos participar da reunião porque este serviço nem está no Atit (Acordo Americano do Transporte Internacional Terrestre), explicou Santolin, que espera um posição diferente das autoridades brasileiras.
Um projeto de lei que legalizaria o serviço está tramitando na Câmara de Vereadores de Foz do Iguaçu. O assunto voltou a ser discutido depois que cerca de 100 mototaxistas protestaram anteontem em frente à Polícia Civil (PC) para pedir mais segurança para as pessoas que trabalham no ramo. Segundo levantamentos da PC, nos últimos cinco meses os roubos a motociclistas aumentaram 10% em relação ao mesmo período de 99. Eles também exigiram maior rigor na investigação dos roubos, já que muitos assaltantes têm sido presos e no entanto as motos dificilmente são encontradas.
Levantamentos da Pluma, feitos entre os dias 8 e 10 deste mês, registraram números curiosos sobre os veículos que transportam passageiros pela Ponte da Amizade. Em apenas uma hora, 352 motos com placas brasileiras passaram pela aduana, enquanto outros veículos, também brasileiros, atingiram 39 unidades vans (9), táxis (11) e coletivos (19)). Este trabalho preocupa não somente pela ilegalidade em Foz, mas na também o número crescente de ilegais na fronteira, disse Santolin.
Os mototaxistas rebateram as acusações dos empresários de transporte coletivo dizendo que estariam dispostos a pagar os impostos caso a profissão fosse regularizada. Para Edson Souza da Rocha, coordenador do protesto realizado anteontem, a criação da cooperativa seria uma maneira de organizar a tributação e selecionar os pais de família dos malandros. Rocha também criticou a participação de políticos nas reuniões, argumentando busca de votos da classe.
Quanto a grande quantidade de motos cruzando a fronteira, Rocha disse que os paraguaios estão em maior números e acabam invadindo Foz atrás dos sacoleiros brasileiros. Eles também são responsáveis pela maioria dos acidentes ocorridos na Ponte da Amizade, explicou.
Apesar das acusações dos empresários, o mototaxista (que já teve duas motos roubadas) comentou que atualmente a maior preocupação dos companheiros é com a segurança. Como qualquer trabalho, existem também os malandros. Mas posso garantir que a maioria é pai de família como eu, disse Rocha, destacando que as manifestações vão continuar sendo até os índices de assaltos diminuírem e as motos começarem a reaparecer.





