Empresários 'cuidam' de 250 candidatos
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terça-feira, 18 de julho de 2000
Karla Matida De Londrina 
Com tantas fórmulas, macetes e tabelas para aprender e decorar, o que os vestibulandos menos querem é ter preocupações extras, como onde comer, onde dormir, transporte para o hotel e até mesmo com os remédios de última hora. Pois é para estas pessoas que surgiu o serviço da dupla César Ricardo dos Santos e Alain Pontes, que desde domingo comanda um grupo de cerca de 250 pessoas, hóspedes da Casa do Vestibulando.
No ramo de hospedagem de vestibulandos há sete anos, César dos Santos começou com um grupo de 20 pessoas. De lá para cá, aumentaram os hóspedes e as histórias quase sempre engraçadíssimas. Daria para escrever um livro, disse Santos, que durante o resto do ano trabalha com eventos.
O negócio aumentou tanto que a tal Casa do Vestibulando hoje se divide entre uma casa, uma chácara e até mesmo um hotel inteiro, onde estão 180 vestibulandos.
No kit vestibulando, além da hospedagem, a dupla oferece café da manhã, almoço, jantar e transporte desde a chegada (rodoviária ou aeroporto) à saída, incluindo as idas e voltas para os locais de provas. Além é claro, de estar à disposição para resolver problemas de última hora como comprar remédios e providenciar novos documentos.
Depois de quatro dias de provas e outras tantas semanas de preparação, o estresse, segundo Santos é mais mental do que físico. Em geral, para os vestibulandos, é a primeira viagem sem os pais, explicou. Ou seja, além de se preocupar se os hóspedes, a maioria entre 17 e 18 anos, estão bem, a dupla também tem que prestar contas com os pais. Eles ligam todos os dias para saber se os filhos estão dormindo bem, comendo bem, contou Santos, que se prepara para acompanhar a turma à festa de despedida dos vestibulandos hoje à noite.
Entre os hóspedes, alguns grupos acabam se destacando seja pelo barulho ou pela quantidade. Os 32 candidatos de Bauru acabam preenchendo os dois requisitos. Nem todos se conheciam antes de chegar a Londrina, mas nada que uma viagem de ônibus de cinco horas não resolvesse. Conseguimos formar um grupo bem legal, disseram Marina Cabreira e Andrea Flores, que foram as escolhidas do dia para guardar as bolsas e as mesas para a turma toda, enquanto os outros escolhiam entre a carne de panela, o frango assado ou o macarrão alho e óleo.
E durante os dias e principalmente as noites a amizade do grupo só vai aumentando. Boa parte prefere ficar mesmo no hotel do que badalar pela noite londrinense pelo menos nos primeiros dias de provas. E alguém fica estudando? Um ou outro. Mas a idéia é ficar de conversa. Ontem (segunda), fomos dormir à 1h30, lembrou Marina.
Paula Bortolai Martins veio de São Paulo acompanhada da irmã, da mãe e da avó, todas hospedadas no mesmo hotel e são um bom exemplo de que a supervisão familiar não estraga a festa. A animação é geral, mesmo para Paula, que está prestando vestibular para medicina e aparentemente não está muito preocupada com os outros 130 candidatos à mesma vaga. De tudo você tem que tirar um lado bom, filosofa a estudante. Por isso mesmo, Paula está mais para a turma da bagunça do que para a que fica no quarto estudando. (K.M.)


