Empresários criam nova escola de samba
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terça-feira, 13 de maio de 1997
Simone Mattos 
Da Sucursal
Gilson CamargoNovidade na avenidaIntegrantes da escola de samba Acadêmicos da Realeza: apoio de empresários e projeto para incrementar o Carnaval de rua da cidadeRevolucionar o Carnaval de Curitiba é a proposta de um grupo de empresários e profissionais liberais da cidade. O ambicioso projeto pretende colocar 800 pessoas e vários carros alegóricos na Avenida Marechal Deodoro em fevereiro, com o samba-enredo puxado pelo Neguinho da Beija Flor. A meta agora é arrecadar os R$ 60 mil necessários para a realização do desfile.
O grito de Carnaval que lançou a Escola de Samba Acadêmicos da Realeza aconteceu na sexta-feira, reunindo mil pessoas numa casa de shows da cidade. Foi o primeiro passo para arrecadar a verba necessária para concretizar o desfile, explicou o dentista Paulo Roberto Scheunemann, um dos dirigentes da nova escola.
Segundo informou, a meta é fazer um Carnaval de qualidade em Curitiba, sem depender da verba destinada pela prefeitura. O que esperamos do município é apenas a infra-estrutura necessária para realizarmos o desfile na avenida, explicou o dentista.
Ele contou que a idéia surgiu em março, a partir da constatação feita por um grupo de seis ex-integrantes das escolas de samba curitibanas de que o Carnaval da cidade estava em baixa. Entre eles estavam alguns carnavalescos respeitados, como Fernando Lamarão, morador de Curitiba que durante 15 anos foi diretor de Harmonia na Escola Beija Flor, no Rio de Janeiro.
Além da resistência cultural que Curitiba apresenta em relação ao seu Carnaval, a culpa é também dos políticos, que não incentivam a festa, denunciou Scheunemann. A divisão que houve entre as escolas da cidade, separadas entre associação e liga no último Carnaval, também contribuiu para o enfraquecimento. Para divulgar a escola, há mais de dois meses seus dirigentes e alguns dos integrantes se reúnem todos os sábados no Pasquale, localizado no Passeio Público.
A proposta da Acadêmicos da Realeza é realizar em desfile show, promovendo a reintegração entre as escolas. O tema do samba-enredo será Querem acabar, mas eu não deixo, que funcionará como um protesto à situação atual. No segundo semestre deste ano será realizado um concurso para definir a letra e a melodia do samba-enredo. A escola conta atualmente com 280 integrantes e pretende triplicar este número até fevereiro, quando finalmente será posta à prova a iniciativa dos empresários.


