Empresários condenados a prisão em Curitiba
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quarta-feira, 04 de dezembro de 2002
Denise Angelo<br> Equipe da Folha 
Curitiba A juíza federal Ana Karina Stipp Amador Costa, da 1 Vara da Justiça Federal, condenou ontem três empresários de Curitiba e um contador a penas que vão de cinco a nove anos de prisão, por formação de quadrilha, sonegação fiscal e falsidade ideológica. Um dos empresários, Michel Gelhorn, é um dos principais acionistas do Shopping Total, conforme a reportagem da Folha apurou na unidade do shopping de Ponta Grossa. Os outros dois empresários condenados, José Eduardo Bekin e Márcio Feldman, são cunhado e sobrinho de Michel, respectivamente. A decisão também atinge o contador Rupélio Colferai.
Os quatro foram denunciados pelo Ministério Público Federal em 1999. Eles eram proprietários da empresa Unipreço Atacadista de Produtos R$ 1,99, nome de fantasia da empresa Gang Ltda, que tinha sede em Curitiba e filiais em São Paulo e Vitória (ES).
Conforme a denúncia do MPF, o contador Rupélio Colferai teria se utilizado de documentos pessoais roubados de um ex-vigilante e de documentos de pessoa inexistente para abrir várias contas bancárias utilizadas pelo grupo. Esses documentos também permitiram a realização de importações. O contador estava ontem em seu escritório, mas não quis dar entrevista. A Justiça Federal deu a ele a maior pena: nove anos e sete meses de reclusão em regime fechado, mais multa de 55 salários mínimos pelos crimes de formação de quadrilha, falsificação de documento público por quatro vezes, uso de documento falso e sonegação fiscal.
O empresário Michel Gelhorn recebeu pena de cinco anos e três meses de reclusão, em regime semi-aberto, mais multa de 80 salários mínimos, pelos crimes de formação de quadrilha e sonegação fiscal. Ele informou, através de sua secretária, que vai recorrer da decisão da Justiça.
José Eduardo Bekin e Márcio Feldman foram condenados a oito anos e seis meses de reclusão, em regime fechado, mais pagamento de multa de 110 salários mínimos cada, pelos crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica e sonegação fiscal. Os dois empresários não foram localizados ontem.
Segundo a denúncia do MPF, entre 1996 e 1998 o grupo sonegou o equivalente a R$ 5,3 milhões em tributos como Imposto de Renda, Contribuição Social, PIS e Cofins. Todos eles têm o direito de recorrer em liberdade.


