Empresário também deve para prefeitura
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terça-feira, 17 de novembro de 1998
Lúcio Horta 
Não é só para bancos e fornecedores que a empresa Endroid Exportação de Produtos Eletrônicos Ltda., de Londrina, - mais conhecida pelo nome fantasia Volnix Indústria Eletrônica, fabricante de antenas parabólicas - está devendo. Só de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) a Endroid, que pertence ao empresário L.D.N., deve R$ 89 mil. Segundo o secretário de Negócios Jurídicos da Londrina, Eduardo Duarte Ferreira, a prefeitura não está preocupada com a dívida. ‘‘Os próprios imóveis garantem o pagamento do débito. Caso ele não pague, faremos a execução’’, disse Ferreira.
O juiz-substituto da 9ª Vara Cível de Londrina, Carlos Maurício Ferreira, concedeu no dia 12 de novembro liminar de arresto de bens contra a Endroid. Ferreira atendeu ação cautelar requerida pela empresa Belmetal Indústria e Comércio Ltda., com sede em São Paulo. A Endroid teria comprado, ainda no início do ano, R$ 126.165,79 em alumínio, para produção de antenas parabólicas, e não pagou.
A maior parte dos bens arrestados refere-se a equipamentos eletrônicos. Segundo o advogado da Belmetal em Londrina, Roberto de Mello Severo, os bens foram retirados da sede da Endroid, no Parque Industrial Cacique (zona oeste), e estavam escondidos em um barracão do Jardim Acapulco (zona sul), próximo à Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Agora, já estão sob responsabilidade da Belmetal, que ainda ontem iria encaminhá-los para a filial da empresa em Curitiba. O advogado informou que, em agosto, requereu a falência da Endroid por conta das dívidas.
No mesmo período, outra ação, movida pelos funcionários da Endroid - aproximadamente 60, no total - também solicitava o arresto de outra parte dos bens para pagamento de dívidas trabalhistas. Os equipamentos que foram arrestados pelos funcionários estavam numa empresa chamada ‘‘Chalenger’’, também de fabricação de antenas parabólicas e que estaria sendo gerenciada por um coreano chamado Kook Tae Chin. Os bens da Endroid teriam sido desviados para Chalenger - que na verdade seria uma ‘‘empresa laranja’’ -, no Jardim Santa Rita (zona oeste), justamente para enganar os credores.
O advogado Roberto Severo disse ontem que o objetivo do arresto é resguardar os bens para que depois sejam anexados à ‘‘massa falida’’ da empresa em caso de decretação de falência. Além dos equipamentos eletrônicos, o advogado verificou no cartório de 1º Ofício, em Londrina, que a Endroid ainda mantém em seu nome 50 imóveis, entre salas comerciais, lojas e garagens, localizados no Volnix Plaza, na Rua Hugo Cabral (área central), antigo Hotel Zollern. Os imóveis custam mais de R$ 800 mil no mercado imobiliário de Londrina. Já os veículos que estavam com o empresário - entre eles uma Ferrari e um avião - teriam sido adquiridos por meio de leasing (sistema de financiamento) e, depois, devolvidos.
L.D.N. se mudou para Londrina em 1995, mostrando grande ostentação, e montou a Endroid. Em três anos, adquiriu diversos bens, entre eles, um avião Cessna ao preço de US$ 1,5 milhão, uma Ferrari por US$ 300 mil e um carro de corrida para Fórmula 3, além de uma BMW do ano. Segundo informações de empresas vizinhas, há cerca de um mês não aparece ninguém na Endroid para trabalhar. Desde então, L.D.N. está desaparecido e vem sendo acusado de aplicar um golpe de mais de R$ 5 milhões na cidade. Além da Belmetal e os empregados, Banestado, Banco do Brasil, bancos privados e fornecedores também seriam vítimas do empresário.
L.D.N. também está sendo investigado pela Polícia Federal, sob acusação de contrabando. Mas até ontem o delegado-chefe da PF em Londrina, Roberto Morel, disse que não tinha nenhuma novidade sobre o caso ou sobre o paradeiro do acusado. Há suspeitas de que ele tenha apartamento na cidade de Miami, nos Estados Unidos, onde poderia estar refugiado atualmente. (Colaborou Cláudio Osti)


