Curitiba O empresário Mário do Amaral Fogassa, acusado de ser um dos chefes de uma quadrilha especializada em roubo de cargas no Paraná, foi ouvido ontem pela juiza de Rio Negro (109 quilômetros a sudoeste de Curitiba), Carmen Romajo. Esse foi o primeiro interregatório desde sua prisão no dia 9 deste mês, em Ribeirão Preto (SP). Fogassa negou que tenha participado do esquema interestadual de desvio de cargas do Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Ele afirmou que teve o nome citado por inimigos políticos em inquéritos policiais feitos em Rio Negro e Curitiba. ''Ele negou todos os fatos que constam nos autos e não trouxe novidades'', afirmou ontem a promotora Maria Natalina, que não quis dar detalhes do caso.
A investigação criminal deverá ouvir agora outros supostos integrantes da quadrilha. Entre eles, um réu preso em Santa Catarina conhecido como ''Jorge Bolacha''. A princípio, Bolacha será ouvido através de carta precatória. A denúncia do Ministério Público (MP) estadual envolve ainda outras 26 pessoas. Entre os supostos integrantes da quadrilha estariam empresários, políticos, delegados, policiais civis e militares. Alguns tiveram prisão preventiva decretada em 2002.
Um dos presos foi o delegado Armando Marques Garcia, que era titular da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas em Curitiba. Garcia não faria parte da quadrilha, mas teria evitado o prosseguimento do inquérito, segundo o MP. Fitas cassetes de escutas telefônicas autorizadas judicialmente, apresentadas na época, comprovariam a tese.
Questionado pelo MP, Fogassa se recusou a falar sobre o conteúdo das fitas com gravações telefônicas. ''Sobre esse e outros fatos ele só vai falar quando estiver solto. Preso, ele teme pela vida dele. O meu cliente não quer ser morto'', informou o advogado de defesa Peter Amaro de Sousa. No depoimento ontem, Fogassa disse que foi vítima de uma ''montagem''.
Fogassa responde criminalmente por formação de quadrilha, receptação qualificada e participação em homicídio qualificado. Segundo investigações do MP, o empresário usava uma chácara em Campo do Tenente (81 quilômetros ao sul de Curitiba) para esconder, guardar e depois vender cargas roubadas em diversos Estados.
Uma das principais testemunhas de acusação de Fogassa era Fernandes Cruz, que morreu em uma emboscada há 30 dias em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
Depois da audiência, Fogassa retornou para o Centro de Triagem, em Curitiba, sob forte proteção policial.

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