Empresário se apresenta e fica preso
Empresário se apresenta e fica preso
Antônio Carlos Bernardes de Souza, acusado de envolvimento, estava com prisão preventiva decretada desde o ano passado
Sid Sauer
O empresário Antônio Carlos Bernardes de Souza, o Carlinhos do Som, 35 anos, se apresentou anteontem à tarde no Fórum de Campo Mourão e foi preso em seguida. Ele estava com prisão preventiva decretada desde o final de setembro do ano passado, acusado de participação na quadrilha dos desmanches. O caso ficou famoso quando a polícia de Campo Mourão descobriu pedaços de cerca de 50 caminhões roubados em esconderijos e cemitérios de chassis.
Bernardes se apresentou a pedido de seu novo advogado, o vereador José Luiz Gurgel. Ele foi ouvido pela juíza Mylene Reis de Assis Fogagnolli e levado em seguida para a cadeia da cidade. Carlinhos, no entanto, diz que é inocente e que só tinha fugido a pedido de seu antigo advogado. Desde que fugiu, ele estava em Curitiba, onde trabalhava numa empresa do mesmo ramo da sua. O empresário reclama que ficou todo esse tempo longe da família e dos amigos, teve que fechar a empresa e acumulou prejuízos. O novo advogado dele disse que a apresentação à Justiça foi uma imposição que fez para pegar o caso. Carlinhos corria o risco de ser julgado à revelia e não poder provar sua inocência, explicou.
Gurgel já está preparando pedido de liberdade provisória para o cliente. Carlinhos é o único acusado de envolvimento na quadrilha que está preso. O estudante Chafik Simão Júnior, de 18 anos, chegou a ser preso e solto 18 dias depois. Ele é dono da fazenda onde foram encontrados pedaços de chassis de caminhões roubados. Outro preso, Valentin Passos, foi solto 5 dias depois e nem chegou a ser denunciado pela promotoria.
Continuam foragidos Pedro Soares Júnior, o Pedrinho Gordo, 30 anos; Jaconias Felipe de Souza, o Jacó, 39 anos; Daniel Felipe de Souza, o Fininho, 42 anos; e Martins de Oliveira, o Martinho (idade não revelada no processo). O caso dos desmanches começou a ser descoberto no dia 8 de setembro, quando peças de caminhões roubados foram encontradas em chácara perto do perímetro urbano. Até o final de outubro, a polícia encontrou outros nove pontos onde peças eram escondidas.
Além da chácara, partes de caminhões roubados foram achadas em barracões do parque industrial de Campo Mourão e em oficinas da cidade. Já os chassis, que poderiam identificar os veículos, eram cortados em pequenos pedaços e jogados em rios e lagos da cidade. Segundo levantamento da PM, as peças encontradas eram de cerca de 50 caminhões, mas apenas 21 placas foram localizadas. A própria polícia admite que pode haver policiais envolvidos.





