Cambé O empresário Jeferson Marques da Silva se apresentou ontem ao delegado da Polícia Civil de Cambé (13 km a oeste de Londrina), Antonio do Carmo, mas não prestou depoimento. Ex-vereador e ex-candidato a prefeito, Silva é suspeito de se envolver com uma quadrilha de roubo e desmanche de veículos e também de praticar crime eleitoral, já que os policiais encontraram em sua fazenda 14 urnas eletrônicas de simulação de voto. Silva é proprietário da empresa de ônibus Radar, de Cambé.
De acordo com o delegado, o empresário não negou a participação no esquema de desmanche, que, até agora, já contabiliza 12 caminhonetes e peças de motor. ''Ele queria apenas saber se havia sido feita perícia nos documentos, assim como quais ele precisará apresentar'', informou. O próximo passo do inquérito instaurado para investigar a procedência e os verdadeiros proprietários dos carros será dado só com a apresentação dos documentos, já solicitados ao suspeito.
Quanto à apreensão de urnas, Carmo avisou já ter comunicado o juiz eleitoral da comarca de Cambé, mas disse que ainda não comprovou qualquer fraude por ''falta de tempo'', em virtude do material dos desmanches.
Por sua vez, Jeferson Marques da Silva alegou que os equipamentos haviam sido adquiridos na época em que ele foi vereador pelo Partido Progressista (PP), de 96 a 2000, antes de a legislação eleitoral estabelecer a proibição da posse de urnas. ''Comprei para ensinar a população a votar, mas veio a lei proibindo. Até tentei doar, mas não apareceram interessados'', explicou. Questionado sobre a suspeita de crime eleitoral, o empresário ironiza: ''Esse delegado (Antonio do Carmo) está me perseguindo. Ele queria o quê: que eu quebrasse as urnas a marretadas?'', questionou.
O caso do desmanche de carros roubados veio à tona graças a uma denúncia feita ao delegado Manuel Pelisson, do 3º Distrito Policial (DP) de Londrina, sobre um desmanche em Rolândia (25 km a oeste de Londrina). A situação foi confirmada, sábado, com a descoberta de caminhonetes e chassis em Rolândia e Cambé.
Três pessoas foram presas, entre elas o mecânico Marcelo Henrique Zerbinati, que disse ao delegado Antonio do Carmo que Silva o havia chamado para montar uma caminhonete. Silva admitiu que o mecânico lhe prestava serviços, mas nega o pedido. ''Somente solicitei a ele que convertesse o motor de gasolina para diesel'', justificou. Quanto aos demais veículos apreendidos, ele garantiu que a situação é legal. ''Apresento a documentação esta semana'', acrescentou.

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