Israel Reinstein
De Curitiba
O empresário Paulo José de Souza realizou ontem um protesto em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba, acusando a Secretaria de Estado da Educação de autorizar seu internamento forçado em um hospital psiquiátrico. O empresário, que se acorrentou em um poste, entregou ao deputado federal Padre Roque Zimmermann (PT-PR) cópia de um processo que tramita na Promotoria de Defesa Constitucional, onde ele e seu sócio da empresa Sutec, Jonadabe Vieira, denunciam a secretária da Educação, Alcyone Saliba, de classificá-lo como louco e autorizar a tortura psicológica praticada pelos policiais. A secretária afirmou que vai processar os empresários por calúnia e difamação.
Jonadabe Vieira, diretor da Associação das Pequenas e Médias Construtoras do Paraná, que organizou a manifestação, afirmou que a secretária teria mandado prender Souza. ‘‘Fiquei uma hora rodando com a polícia, que ligou o som do carro e a sirene bem altos’’, disse. Cansado, ele contou que chegou ao hospital e foi classificado pelo médico como louco. O caso será denunciado por Padre Roque na Comissão de Direitos Humanos do Congresso Nacional.
No entanto, a secretária afirmou que não foi dela a decisão de levar o empresário ao Centro Psiquiátrico Metropolitano. A polícia é que decidiu em conduzir Souza ao manicômio. ‘‘A decisão foi acertada, porque ele estava muito ansioso e com depressão’’, disse, acrescentando que não é normal uma pessoa se acorrentar.
Segundo material enviado pelo governo estadual, no prontuário de atendimento no Centro Psiquiátrico Metropolitano está descrito que Souza estava ‘‘agitado, ansioso, angustiado e agressivo’’. ‘‘Como ele já havia tentado se suicidar um mês antes, recomendamos o internamento’’, reforçou o diretor geral do centro, Wirmond Luiz Rocha D’Angelis.
Porém, Jonadabe Vieira nega que Paulo Souza tentou se matar. ‘‘São inverdades, criadas para acabar com a reputação de um homem íntegro, que quer apenas receber pelo seu trabalho’’, disse. Segundo Souza, o governo deve à Sutec R$ 300 mil. ‘‘A secretaria não paga, alegando que as obras estão com as medições atrasadas, mas porque elas foram refeitas depois que denunciamos atrasos nos pagamentos’’, afirmou Souza.
O governo rebate essas acusações. A empresa teria recebido 73% do convênio, que é de R$ 1,25 milhão. A empresa concluiu apenas uma das dez escolas. As demais obras estão sob auditoria do Tribunal de Contas, que classificou os serviços com ‘‘qualidade inferior ao padrão mínimo aceitável’’. ‘‘O tribunal nos proíbe de completar os pagamentos, por causa de irregularidades’’, afirmou Alcyone Saliba. O governo estadual quer rescindir o contrato com a Sutec. ‘‘Aceitamos rescindir se o governo pagar o que nos deve’’, disse Jonadabe Vieira.

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