Empresário reaparece sem memória
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Rodrigo Lopes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Depois de ter passado 24 dias desaparecido, provavelmente em poder de sequestradores, o empresário João Batista Paes de Almeida, 47 anos, luta agora para recuperar a saúde. Doze quilos mais magro e com poucas recordações sobre o que lhe aconteceu durante o período de cativeiro, Almeida vai pouco a pouco voltando a reconhecer os familiares. Hoje, ele deve ser ouvido pela Polícia Civil de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, que investiga o caso.
Segundo a esposa do empresário, Nair dos Santos Almeida, também de 47 anos, a cada dia ele vai dando sinais de recuperação. Na noite da última segunda-feira, quando Almeida foi encontrado por amigos vagando às margens da BR-116, no próprio município de Fazenda Rio Grande, ele não reconheceu sequer os familiares. ''Ele estava muito assustado. Quando eu fui abraçá-lo, ele até se afastou'', conta a mulher. ''Ele chegou sem falar nada, não contou o que aconteceu. Disse apenas que se lembrava de ter sido empurrado e que ficava em um lugar bem escuro, sem conseguir diferenciar o dia da noite'', acrescenta.
Dono de uma construtora em Curitiba, Almeida havia sido visto pela última vez no último dia 21, em uma agência bancária de Fazenda Rio Grande. Na ocasião, ele sacou R$ 1 mil em dinheiro e retirou três talões de cheque para fazer o pagamento dos funcionários de uma obra que sua empresa realiza no município vizinho de Araucária. O empresário só foi localizado 24 dias depois, provavelmente depois de ter sido assaltado e mantido em cativeiro. ''Ele estava com a mesma roupa com que saiu no dia do desaparecimento. Todo o resto sumiu: dinheiro, cheques, carteira, celular'', conta Nair.
Além disso, Almeida está bastante debilitado física e mentalmente. ''Ele perdeu 12 quilos e ainda não come quase nada'', relata a esposa. Segundo ela, aos poucos o empresário começa a recuperar a memória. ''Na terça de manhã, ele já começou a dar sinais de melhora'', diz. Desde então, ele tem passado por uma bateria de exames em um hospital particular de Curitiba. Hoje, será a vez de a Polícia Civil tentar mais informações sobre o período em que Almeida esteve desaparecido.


