Ao tomar a iniciativa de aproveitar descartes de produtos hortifrutigranjeiros de um supermercado, um empresário de Apucarana constatou que legumes, frutas e verdaduras que são jogados no lixo serviriam para saciar a fome de muitas famílias carentes. Avaliando o número de supermercados na cidade e o porte de cada um, o empresário Álvaro Almeida concluiu que cerca de duas toneladas de alimentos de boa qualidade são descartados em Apucarana todos os dias.
Para ele, com um maior número de voluntários, em parceria com proprietários de supermercados, seria possível aproveitar estes alimentos e reduzir a fome de dezenas de famílias. A experiência de Álvaro Almeida e a mulher Maria Inês Almeida teve início em outubro, quando obtiveram autorização dos proprietários do Supermercado Frimel, no Bairro Igrejinha, para recolher, diariamente, as caixas com descartes do setor de legumes.
Com os produtos, o casal passou a preparar um sopão por dia, distribuído nos finais de tardes em três favelas. Do trabalho voluntário participam, além do casal, alguns funcionários de sua empresa, que ajudam no transporte e na lavagem dos legumes.
Depois de algumas semanas, devido o tempo que a atividade exigia, Álvaro e Maria Inês passaram a preparar o sopão somente uma vez por semana. Mas mantiveram o aproveitamento diário dos produtos, lavando, dividindo em sacolas e entregando para famílias pobres. O casal diz que em qualquer hora do dia o alimento recebido vai imediatamente para a panela e isso demonstra que a fome realmente existe.
‘‘Nós estamos nos sentindo muito gratificados com esse trabalho voluntário, principalmente ao constatar que estes alimentos, que seriam jogados no lixo, estão saciando a fome de gestantes, crianças e idosos’’, afirma Álvaro Almeida.
Ele garante que cerca de 90% dos descartes podem ser aproveitados para consumo. ‘‘Normalmente são legumes que murcham ou apresentam uma mancha e não servem para ficar nas bancas do comércio por não serem atraentes aos consumidores’’, explica.
Inconformado com a quantidade de alimentos que vai para os tambores ou caçambas de lixo, o empresário está conclamando entidades, clubes de serviço, poder público e igrejas a se organizarem em Apucarana. ‘‘É inadmissível que tanta gente passe fome e, ao mesmo tempo, observar que diariamente todo esse alimento é atirado no lixo.’’
O empresário argumenta ainda que a coleta e aproveitamento do descartes também evitariam a degradante cena de pessoas garimpando lixeiras de supermercados, correndo o risco de consumir alimentos contaminados.
Em Londrina, Joanita Lopes da Silva e suas vizinhas, responsáveis pelo preparo do sopão comunitário que alimenta cerca de 150 pessoas carentes do Jardim União da Vitória 1, agradecem a colaboração da população. Com as doações recebidas após a divulgação das dificuldades pelas quais estavam passando, em reportagem da Folha da última sexta-feira, será possível a continuação do trabalho. ‘‘Com as doações vai dar até para fazer uma festinha de Natal para as crianças do bairro’’, comemora.

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