Empresário morre e mulher autoriza doação de órgãos
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quarta-feira, 16 de junho de 2004
Adriana Savicki<br>Reportagem Local 
Conseguir ultrapassar a dor da perda e os preconceitos para auxiliar quem precisa. Esse é o desafio das famílias que perdem entes queridos e encontram pela frente a opção da doação de órgãos. Foi essa a escolha da família do empresário Ismael de Melo, 39 anos, morto ontem pela manhã no Hospital Evangélico após se envolver em um acidente automobilístico na BR-369, entre Londrina e Ibiporã (14 km a leste de Londrina).
Internado na UTI, ele teve uma parada cardio-respiratória e abriu possibilidades para pelo menos três pessoas que vão receber suas córneas e válvulas cardíacas. Segundo informações da Central de Transplantes, as córneas de Melo devem ser transplantadas na região. Já suas válculas foram enviadas para o banco de válvulas de Curitiba.
A família, bastante abalada com a perda, preferiu não dar entrevistas. Segundo a responsável técnica pela Central de Transplantes, Ogle Neatriz Bacchi de Souza, ao autorizar a retirada dos órgãos, a esposa de Melo afirmou que, apesar da opção de doador não constar nos documentos do marido, essa era uma vontade de ambos, que já tinham discutido o assunto várias vezes.
''A família de Ismael já tinha vivenciado o processo que vai criar a cultura da doação na sociedade, que é conversar sobre o assunto em vida'', comenta. Infelizmente, exemplos como a da família de Melo ainda são raros. Levantamento da Central de Transplantes aponta que apenas 30% das famílias notificadas, cujos parentes são potenciais doadores, aceitam a intervenção.
''As informações ainda não foram democratizadas, é tudo muito recente, só em 1997 foram regulamentadas as leis para doação, quando houve uma moralização da prática com os sistema de filas'', argumenta Ogle. Melo deixou três filhos e deve ser enterrado hoje no Cemitério Parque das Oliveiras.


