Lino Ramos
De Londrina
Especial para a Folha
O ex-secretário estadual de agricultura, José Carlos Tibúrcio, foi preso em flagrante ontem à tarde com base no artigo 54 da Lei de Crimes Ambientais. Ele recebeu voz de prisão da promotora de Defesa do Meio Ambiente, Maria Lúcia Reichenbach, durante fiscalização na Carambeí, empresa de fiação têxtil pertencente a seu sogro, Carlos Pereira Paschoal.
No início da noite, Tibúrcio foi autuado pela delegada do 2º Distrito Policial, Valdete Testoni. O crime atribuído ao ex-secretário é inafiançável. O delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial, Acácio Gonzaga de Azevedo, informou que o acusado deveria passar a noite em uma das salas do DP. Tibúrcio possui curso superior e tem direito a prisão especial.
A promotora chegou à empresa acompanhada de dois policiais militares e dois fiscais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Após uma vistoria nas lagoas de efluentes da fábrica, os fiscais coletaram água do Ribeirão Cambezinho, que recebe os dejetos da Carambeí e atravessa o Parque Arthur Thomas, a principal área verde urbana.
Segundo o engenheiro-químico do IAP, Nelson Santos Pereira, a empresa usa soda cáustica, ácido sulfúrico e alvejantes em seu processo industrial. No dia 29 de junho, a empresa havia sido autuada após uma mortandade de peixes no ribeirão. A multa foi de R$ 800 por dia, mas a Carambeí está recorrendo.
Nas análises feitas ontem, o IAP constatou que a poluição estava muito acima dos índices aceitáveis pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). No exame de demanda química de oxigênio (DQO) foi constatado que os dejetos jogados no ribeirão estavam em 2.340 por 100 miligramas de água, quando o máximo permitido, nesse caso, é de 300 por ml. ‘‘Talvez os peixes foram mortos pelo PH cáustico’’, disse Pereira.
Segundo a promotora, no momento em que deu voz de prisão a Tibúrcio, o Cambezinho recebia lançamento de substâncias usadas na lavagem do rami ‘‘capazes de matar a fauna e a flora aquáticas’’.
Tibúrcio foi levado até a delegacia, acompanhado do advogado da empresa, Carlos Henrique Schiefer. O delegado Azevedo conduziu Tibúrcio ao 2º DP em seu veículo.
‘‘Ela foi arbitrária e vai responder civil e criminalmente por essa medida. O Tibúrcio é genro do dono e só foi gentil em recebê-la na empresa’’, declarou o advogado. ‘‘Eu pedi para falar com o responsável e foi ele (Tibúrcio) que me atendeu. Ele se apresentou como o administrador’’, rebateu a promotora.
Tibúrcio alegou que está fora da empresa desde 93 e trabalha em São Paulo. ‘‘Achei uma estupidez. Só fui recebê-la (a promotora) porque meu sogro está fora da cidade’’. Ontem à noite, o advogado Schiefer tentava localizar um juiz de plantão, para pedir o relaxamento do flagrante de seu cliente.

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