A crise asiática desviou a atenção da imprensa japonesa dos problemas enfrentados pelos dekasseguis no Japão, em especial os brasileiros. O desemprego, denunciado por muitos brasileiros que retornam do Japão, como sendo drástico para os estrangeiros, também afeta os japoneses: 3% da população está sem emprego, o pior índice desde o Japão pós-guerra.
A afirmação é do empresário japonês do ramo de sementes Junichi Obara, que esteve recentemente no Brasil. Como empreendedor, ele diz que não gostaria de ver nenhum agricultor brasileiro deixando a lavoura para ir trabalhar duro no Japão. ‘‘O Brasil tem muito futuro. Não entendo porque as pessoas abandonam a agricultura aqui e vão arriscar a vida lᒒ, afirma.
Para ele, o Brasil tem grande potencial de produzir alimentos e exportar para os países desenvolvidos. ‘‘É questão de olhar com carinho para este aspecto. Acho que seria melhor o Brasil incentivar mais este potencial’’, opina.
Obara diz que, no passado, a população japonesa olhava a entrada de mão-de-obra estrangeira com restrições, principalmente receosos de perder seus postos de trabalho. Hoje, infelizmente, o desemprego chegou ao país. Mas Obara diz que, ainda assim, os brasileiros até agora não preocupam o japoneses em relação à ocupação de vagas nas empresas.
A despreocupação, no entanto, inexiste em relação aos dekasseguis asiáticos, provenientes principalmente da Coréia e da Tailândia. ‘‘O povo latino é visto com bons olhos. Independente disso, o desemprego é geral. Os japoneses que tinham bons empregos e perderam seus postos, hoje se submetem a trabalhar em funções antes destinadas aos estrangeiros’’.
Considerando-se também um dekassegui, por ser japonês e estar trabalhando no Brasil, Seiko Tasaki, que há quatro anos trabalha em Bragança Paulista (SP), como diretor da empresa Sakata Seeds/Agroflora, assegura que a globalização está obrigando as pessoas a trocar sua terra natal por outro país.
O diretor, entretanto, critica os dekasseguis que retornam do Japão e afirmam que só trouxeram dinheiro. ‘‘Eles ainda não assimilaram que trazem na bagagem conhecimento tecnológico e uma nova cultura. Este deveria ser o objetivo dos brasileiros que vão trabalhar no Japão. Infelizmente só visam melhores salários’’, queixa-se.

mockup