Empresário faz greve de fome e acusa empresa de boicotá-lo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de setembro de 1998
James Alberti 
O empresário Eugênio Rozetti Filho, casado e pai de um filho, está em greve de fome há quatro dias por causa de uma briga contra um gigante. Ele luta para que a Secretaria de Direito Econômico, de Brasília, faça uma vistoria na indústria de gás carbônico Liquid Carbonic, do grupo White Martins. Dormindo em uma barraca e bebendo apenas água, em frente à empresa, em Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), Rozetti acusa a empresa, que detém 93% do mercado nacional, de impedi-lo de trabalhar.
Rozetti tem um processo na Secretaria de Direito Econômico, no qual acusa a Liquid Carbonic de eliminação de concorrência. O empresário tem um contrato para distribuição do gás da Liquid Carbonic até 2003 - mas a empresa não estaria cumprindo a sua parte. Os problemas começaram no ano passado, quando Rozetti comprou um caminhão e também passou a transportar o produto entre a indústria e os pontos de revenda. Entrei no grande lucro deles, que é o transporte, disse ele.
Abatido, o empresário disse que não está mais aguentando. Mesmo assim, afirmou que vai permanecer em greve de fome enquanto tiver forças.
Caso a secretaria não se manifeste, o empresário admite que não pretende arriscar a vida. Eu não estou sozinho e nós não vamos desistir, afirmou. Quando eu não aguentar mais, vou embora e meu irmão vai tomar o meu lugar, revelou. É assim que Rozetti pretende pressionar as autoridades. Rozetti diz que a Liquid Carbonic não está permitindo que ele pegue o produto na indústria para revender e que, por isso, não sabe quanto já perdeu desde que a briga começou. Ele faz uma conta rápida do prejuízo: Eu tinha 14 caminhões, hoje tenho apenas três.


