O empresário Luiz Roberto Ferrari, proprietário de uma área de quase 17 mil metros quadrados colocada à disposição do Governo do Estado para a construção da Cadeia Pública de Londrina, anunciou ontem que, se a obra não tiver início até dia 30 de abril, a oferta será definitivamente retirada. O anúncio foi feito durante reunião convocada pela Comissão de Defesa do Consumidor e Segurança Pública da Câmara. A Cadeia obrigaria 292 presos não condenados e desafogaria os distritos policiais.
O terreno, localizado na Gleba Usina Três Bocas (zona sul), foi oferecido à Secretaria de Segurança Pública em 24 de outubro de 96, em carta enviada ao secretário Cândido Martins de Oliveira. Em novembro do mesmo ano, Oliveira comunicou que a área era adequada, conforme vistoria de uma comissão técnica. Em ofício, também informou que a formalização da doação deveria ser acelerada. Assim, a secretaria poderia receber recursos da União para a obra ainda em 96.
De lá para cá, muitas rebeliões e fugas ocorreram, os distritos policiais estão superlotados e as obras da Cadeia Pública sequer foram licitadas. Em novembro do ano passado, uma comissão de lideranças esteve reunida, em Curitiba, com o governador Jaime Lerner (PFL), que na ocasião se comprometeu a licitar a obra até dezembro do ano passado e iniciá-la neste mês.
‘‘Estou falando em início das obras e não em licitação’’, disse Ferrari, para esclarecer que não irá voltar atrás na proposta de doação caso as máquinas não estejam trabalhando até a data estipulada.
Durante a reunião, ontem, não faltaram críticas ao governador e ao secretário de Segurança Pública. ‘‘Felizmente a rebelião ocorreu de madrugada, porque o distrito fica ao lado de uma escola’’, disse o vereador Salvador Francisco (PSDB), presidente da Comissão de Defesa ao Consumidor e Segurança Pública, referindo-se aos incidentes de ontem no 3º DP. ‘‘O secretário agiu de má fé ao não comparecer à reunião. Ele foi convocado, oficialmente, na segunda-feira, mas já sabia da reunião desde a semana passada.’’ Segundo Salvador, a rebelião no 3º DP aconteceu por culpa do governador e do secretário, que não cumpriram nada do que foi prometido à Cidade.
O promotor da 5ª Vara Criminal, Cláudio Esteves, informou que há meses a Justiça vem se empenhando na libertação de presos, em circunstâncias permitidas por lei, mas que poderiam ser mantidos na cadeia. ‘‘Damos prioridade à prisão de traficantes, assaltantes e eventuais homicidas, por falta de vagas nos DP.’’
Durante a reunião na Câmara também ficou decidida a realização de uma campanha envolvendo a comunidade local. O objetivo será sensibilizar o Governo Estadual para a situação crítica da segurança em Londrina. Foi escolhida uma comissão para organizar a campanha, que volta a se reunir dia 2 de março.

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