Lúcio Horta
De Londrina
O depoimento do empresário João Gomes da Costa, proprietário da empresa Gomes & Amâncio, realizado ontem de manhã, acrescentou muito pouco às investigações que o Ministério Público vem realizando em contratos realizados pela Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). Os promotores apuram possíveis irregularidades em contratos firmados pela companhia e que podem ter causado prejuízos no valor de até R$ 30 milhões aos cofres municipais. Vários diretores da companhia e o ex-presidente, Kakunen Kyosen, que é auditor da Prefeitura de Londrina, já foram ouvidos pela promotoria e negam conhecer irregularidades.
A empresa Gomes & Amâncio participou, segundo documentos da companhia apreendidos pelo MP, de pelo menos 19 licitações para executar trabalhos de engenharia e meio ambiente. Venceu dez delas, recebeu no total R$ 1,4 milhão, mas não há provas de que os trabalhos foram realizados.
O advogado Mário Rocha Filho, que acompanhou João da Costa na PIC, disse o cliente se negou a responder às perguntas mais polêmicas do promotor e afirmou que falaria somente em juízo. Além de João da Costa, também depuseram o mestre-de-obras Sebastião Gomes da Costa e a esposa dele, Rosalina Amâncio Carvalho Costa. Embora sejam sócios na Gomes & Amâncio, disseram que nada sabiam das irregularidades e que o responsável pela empresa era João da Costa.
Antes do depoimento, João da Costa assegurou que atenderia os jornalistas depois do de falar com o promotor. ‘‘Somos uma empresa familiar, não temos nada a esconder. Mas primeiro temos que saber o que eles (promotores) querem’’, disse. Depois, negou-se a responder aos jornalistas, comentando apenas que tudo será esclarecido ‘‘no momento certo’’. ‘‘Estamos tranquilos. A verdade vai aparecer e as coisas vão chegar ao seu devido lugar’’, afirmou.
Entre as questões que ficaram sem respostas, a principal referia-se à contradição entre a data em que a Gomes & Amâncio foi inscrita no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) e a participação dela nos processos licitatórios. De acordo com o Crea, a inscrição foi feita no dia 2 de julho. As licitações, no entanto, foram realizadas antes, entre maio e julho.
Antes do depoimento, João da Costa revelou que a empresa existe há cinco anos, executando diversos tipos de serviços, como pavimentação asfáltica. Já os serviços de engenharia, segundo o empresário, começaram a ser realizados pela empresa há pouco tempo (ele não definiu o prazo exato). Além do engenheiro responsável (ele também não quis revelar o nome), Costa disse que trabalha com engenheiros terceirizados, conforme a demanda de trabalho.
O empresário também admitiu que a Gomes & Amâncio está sendo prejudicada com a polêmica. Sem entrar em detalhes, informou que já existem tentativas de cancelar contratos já firmados com a empresa e dificuldade para contratar novos serviços. Mesmo assim, não quis dar explicações sobre os problemas levantados nas investigações.
Depois de prestar depoimento, João da Costa encontrou no corredor da PIC o promotor Bruno Galatti, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e que também está investigando, junto com Cláudio Esteves, as possíveis irregularidades na Comurb. Galatti chegou a dizer que só não foi pedida a prisão dos proprietários da Gomes & Amâncio porque o momento ainda não é o mais adequado.

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