Empresário é solto, mas promotora vai recorrer
Érika Pelegrino
De Londrina
A promotora da 5ª Vara Criminal de Londrina, Solange Vicentin, declarou que irá recorrer do relaxamento de prisão em flagrante do empresário José Carlos Tibúrcio determinada ontem pela juíza de plantão Oneide Negrão. O empresário recebeu voz de prisão no início da noite de terça-feira, da promotora de Defesa do Meio Ambiente Maria Lúcia Reichenbach, após apresentar-se como responsável pela empresa têxtil Carambeí. A empresa é acusada de praticar crime ambiental, poluindo o Ribeirão Cambezinho.
José Carlos Tibúrcio ficou detido no 2º Distrito Policial de Londrina durante toda a noite de terça-feira e a manhã e o início da tarde de ontem. Às 14h30 foi emitido o alvará de soltura do empresário determinado pela juíza Oneide Negrão.
A juíza determinou o relaxamento da prisão em flagrante por entender estar comprovado que José Carlos Tibúrcio não é membro da empresa - sócio, diretor, administrador, membro do conselho e do órgão técnico, auditor, gerente, preposto ou mandatário. Segundo a determinação da juíza, como pessoa física o empresário não concorre de modo algum para a prática do crime pelo qual foi autuado em flagrante.
A promotora Solange Vicentin afirma não concordar com a determinação da juíza, por entender que não existam provas suficientes que eximam o empresário de qualquer responsabilidade pela Carambeí e, consequentemente, pelo crime ambiental praticado pela empresa. Foi provado apenas que ele não é diretor da empresa, mas isto não significa que ele não possa ser mandatário ou preposto, afirmou.
Em seu parecer que foi encaminhado para a juíza Oneide Negrão, Solange Vicentin havia se pronunciado contrária ao relaxamento da prisão em flagrante, mas com o benefício da liberdade provisória com fiança. A promotora afirma que a intenção, ao recorrer da decisão da juíza, não é colocar o empresário de volta na prisão. Ela entende que não há provas que justifiquem desligá-lo da responsabilidade pelo crime ambiental praticado pela Carambeí.
Vou interpor recurso em sentido estrito para que o Tribunal de Justiça determine que ele continue sendo indiciado no inquérito, declarou. A promotora tem cinco dias para recorrer.
O empresário José Carlos Tibúrcio, ao ser liberado ontem do 2º DP, afirmou estar muito cansado, mas que hoje iria tomar providências contra a promotora de Defesa do Meio Ambiente Maria Lúcia Reichenbach.
Isto não vai ficar assim. Esta prisão foi injusta, precipitada e arbitrária, com certeza vou tomar uma posição sobre este constrangimento a que fui submetido, declarou. Tibúrcio afirmou que estava de passagem na empresa e que só atendeu a promotora Reichenbach porque acreditou ser apenas uma visita.
Eu tinha ido buscar meu sogro (Carlos Paschoal - proprietário da empresa têxtil) no aeroporto, que estava vindo de Foz do Iguaçu, e levá-lo à Carambeí, declarou. Ao ser questionado porque não foi Carlos Paschoal quem atendeu a promotora, já que ele estava na empresa, Tibúrcio afirmou que seu sogro responde pela Carambeí de longe, em São Paulo. Eu era a pessoa mais indicada para falar com a promotora.





