Arquivo FolhaLara: acusado de não entregar bens penhorados para cobrir açãoO empresário Areli Teixeira de Lara, proprietário da Cimensul Transportes e ex-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Setcepar), está preso desde quinta-feira na Delegacia de Vigilâncias e Capturas, em Curitiba. Lara é acusado de ser depositário infiel em uma ação trabalhista movida por um ex-funcionário da Cimensul.
A Justiça determinou a penhora de cinco carretas de caminhão para o pagamento da ação, mas os bens não teriam sido localizados e o juiz decretou a prisão de Lara. A ação foi movida em 1992 e o processo foi julgado na 3ª Junta de Conciliação e Julgamento.
A assessoria de Areli Teixeira de Lara informou que as carretas sempre estiveram à disposição da Justiça, em um pátio da empresa, e que a prisão do empresário foi decretada antes da vistoria dos bens.
A pena prevista é de seis meses, mas o empresário deve ser liberado assim que apresentar as cinco carretas ou depositar em juízo o valor equivalente. Até o início da noite de ontem, Lara continuava detido.
Em fevereiro deste ano, a empresa Cimensul Transportes foi expulsa do Setcepar. Cerca de 30 associados acusaram Lara de retirar do caixa do sindicato recursos que deveriam ser repassados a transportadoras associadas para ressarcir a cobrança indevida de Finsocial.
A decisão de expulsar a empresa do Setcepar foi baseada numa investigação interna para verificar suspeitas levantadas contra Lara a partir da reclamação de 21 empresas do Norte que não receberam de volta o valor do Finsocial cobrado a mais pelo governo federal. A ação que contestou a alíquota foi movida pelo Departamento Jurídico do Setcepar.
No período entre a concessão da liminar e a sentença final, favorável às empresas, elas depositaram em juízo o Finsocial. Os valores foram unificados numa só conta, em nome do Setcepar. Quando saiu a sentença, a entidade sacou o dinheiro (R$ 2,2 milhões) e dele descontou 20% de honorários para dois advogados contratados para o caso.
Do que sobrou, foram repassados para as empresas R$ 1,4 milhão. O restante - R$ 307.913,00 - permaneceu na conta do sindicato. A atual diretoria descobriu que esse dinheiro foi transferido por Lara para a conta do advogado Paulo Gruber, dois dias antes de entregar o cargo de presidente. O sindicato moveu uma ação judicial contra o advogado de Lara pedindo o ressarcimento do valor e a ação está correndo na Justiça.

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