Empresário é confundido com ladrão e vai processar gerente
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quinta-feira, 27 de novembro de 1997
Paulo Ubiratan Londrina 
O empresário Jefferson Margraf Lopes, 37 anos, vai processar o gerente da agência Bradesco da avenida Duque de Caxias, Adilson Luis Urbam, por tê-lo confundido com um assaltante de bancos. O que o gerente fez comigo foi uma total falta de respeito e consideração, além de denúncia falsa contra mim e meu cunhado, afirmou Jefferson.
Jefferson ficou por mais de vinte minutos sob suspeita de ser um ladrão de banco, diante da polícia e pessoas da comunidade. O fato ocorreu na última segunda-feira, por volta das 15 horas. Segundo informações dos próprios policiais que atennderam o chamado do banco, Adilson teria acionado a polícia porque desconfiava que Jefferson preparava um assalto. A agência foi assaltada quatro vezes somente este ano.
Depois do último roubo, a direção do banco colocou dispositivo de segurança anti-roubo. O empresário enfatiza que seu escritório fica quase ao lado da agência bancária e estranha a atitude do gerente. Inclusive, o seu veículo Tempra, bastante sofisticado, chama a atenção e é conhecido por todos que moram e trabalham na redondeza, pois sempre está estacionado ali.
Segundo Jefferson, ele e o cunhando Alexandre estavam conversando dentro do carro estacionado do outro lado da avenida, em frente ao Bradesco, quando foram surpreendidos por policiais militares. Eles nos abordaram com escopetas, pistolas e revólveres. Gritavam que eram policiais e que nós eramos assaltantes. Ele contou que, em seguida, foram retirados aos empurrões do veículo e obrigados a se submeter a uma revista geral. O empresário ressaltou que em momento algum foi solicitada a sua identidade.
Depois de um tempo, os policiais tomaram consciência de que estavam errados mas, mesmo assim, ainda revistaram todo o meu carro, alegando que estavam na busca de tóxico ou de armas. No final de toda a confusão, eles disseram que foram chamados pelo gerente do Bradesco e não poderiam deixar de fazer a abordagem, sob pena de não cumprir com a obrigação de policiais, contou Jefferson. Ele disse que, quando a situação se acalmou, foi até a agência falar com o gerente. Pediu que ele fosse até a rua explicar aos policiais que cometera um engano.
O empresário contou que o gerente Adilson começou a rir e disse não ter nada a ver com o que aconteceu. Fiquei revoltado com a atitude de menosprezo do gerente. Ele alegou que é conhecido de funcionário, por ser cliente do Bradesco (agência centro). O empresário diz que vai todos os dias à agência da Duque de Caxias para tirar seu extrato.
O gerente nega que tenha chamado a polícia. Mas admite que, depois de tantos assaltos na agência, toma todas as precauções, A Polícia Militar está fazendo ronda especial na agência e tem abordado normalmente qualquer pessoa que possa ser suspeita. Mas mnão fui eu quem chamou a polícia.
O capitão Edwaldo Machado, do 5º Batalhão da Polícia Militar, explicou ontem à Folha que a atitude do gerente foi correta e deve ser imitada por todos diante de uma situção de desconfiança. Quanto à abordagem truculenta dos policiais, Machado disse que o policial deve ser cortês e educado. No entanto, imagine se os dois empresários fossem realmente ladrões? Cada situação exige um tipo de abordagem, pois ninguém leva na testa o atestado de honestidade.
Jefferson prometeu acionar judicialmente o gerente por abalo moral e denúncia caluniosa. O empresário revelou que não aguenta mais a gozação de amigos e os olhares desconfiados dos vizinhos. Eu não vou sair na rua dizendo a todos que não sou ladrão. Na hora que eu chamei o gerente para ele dizer alguma coisa a meu favor, ele se recusou. Já contratei advogado e ele vai responder na Justiça.


