O empresário e agropecuarista Arnaldo Walter Bronzel, 61, foi assassinado com dois tiros ontem de manhã em Campo Mourão durante um assalto que começou na casa dele, no centro da cidade, e terminou numa de suas empresas, o Depósito de Madeiras Bronzel, na saída para Maringá. O assalto começou por volta das 5h30, quando o empresário saía de casa num Ford Mondeo. Segundo a polícia, ele deve ter sido rendido pelos assaltantes - três homens armados e encapuzados - ainda no portão, quando foi obrigado a voltar para o interior da casa.
Dentro da residência, os assaltantes também renderam a mulher de Bronzel, Alzira, e reviraram a casa dizendo que queriam dinheiro e armas. Eles acabaram pegando várias jóias e chegaram a embrulhar uma televisão e outros aparelhos eletrônicos em lençóis, mas somente as jóias foram levadas. Durante o assalto, Bronzel demonstrou nervosismo e levou uma coronhada de revólver na testa. Alzira contou à polícia que foi o próprio marido que revelou ter ‘‘mais coisas’’ num cofre na madeireira.
Os assaltantes levaram Bronzel para a empresa com as mãos amarradas. A mulher dele teve as mãos e os pés amarrados e ficou trancada num quarto. Os bandidos também levaram os controles remotos do portão da casa e desligaram o telefone. Na madeireira, eles fizeram com que o empresário abrisse um cofre no escritório, onde só existiam documentos e talões de cheques. A princípio, nada foi levado. Num barracão da madeireira, separado do escritório, havia um segundo cofre que não foi aberto. Foi nesse barracão que Bronzel levou os tiros.
A polícia suspeita que o empresário foi morto porque reagiu ao assalto. A corda que amarrava suas mãos estava arrebentada e um relógio Orient, preto, que não pertencia a Bronzel, foi achado ao lado do corpo. Para a polícia, o relógio deveria pertencer a um dos assaltantes e teria caído durante uma luta corporal. Um dos tiros, na barriga, foi dado à queima-roupa. O outro acertou o peito do empresário, que tinha sinais de pólvora numa das mãos, o que reforça a hipótese de luta. No cofre fechado havia apenas quatro armas e um relógio.
Capacete A polícia ficou sabendo do caso quando a mulher do empresário conseguiu se soltar das cordas e gritou por socorro através da janela do banheiro. Ela foi ouvida por vizinhos, que chamaram a polícia. Quando os policiais chegaram à madeireira, Bronzel já estava morto, caído a cerca de dois metros do cofre. Um morador vizinho disse que chegou a ouvir barulho, mas não estranhou, uma vez que Bronzel tinha o costume de passar praticamente todos os dias pelo escritório por volta das 6 horas. Ele pensou que os tiros fossem batidas de madeira.
O assaltantes usaram os dois carros da família para fugir. O Ford Mondeo placa AMB-0606 foi encontrado abandonado logo pela manhã em Peabiru (12 km ao norte de Campo Mourão). Dentro dele estava um capacete de motociclista que deve pertencer a um dos assaltantes. O outro veículo - uma Ford F-1000 placa AWB-0006 - continuava desaparecida até ontem à tarde. Um dos controles remotos do portão foi achado próximo à Vila Guarujá, um bairro afastado da cidade que fica na estrada velha (sem asfalto) para Roncador.
Arnaldo Walter Bronzel era pioneiro e muito conhecido em Campo Mourão. Ele chegou à cidade em 1954, junto com o pai, Geraldo, que foi um dos primeiros dentistas do município. Bronzel era contador e teve um escritório de contabilidade em Campo Mourão durante vários anos. Atualmente ele se dedicava apenas à madeireira e às propriedades rurais, além de mais de 30 imóveis alugados no perímetro urbano. Além da mulher, ele deixou dois filhos casados.

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