O empresário Valdir Collet, de Pontal do Sul, disse sábado que foi preso e encaminhado para a Polícia Civil sem nenhuma prova ou mandado contra ele. A ocorrência foi sexta-feira, por volta das 15 horas, quando três policiais chegaram em sua empresa - uma agência de turismo - e pediram que o empresário os acompanhasse até à delegacia de Paranaguá, a 5 quilômetros de distância. Ele foi na própria caminhonete, com um policial ao lado.
‘‘Cheguei lá e o delegado Pacheco me disse que tinha mais de 20 telefonemas denunciando que eu era o maior traficante da região e o maior ladrão de carros. Mas não devo nada disso’’, indignou-se o empresário.
Ainda segundo ele, houve tentativa de agressão por parte de um policial, que queria algemá-lo. ‘‘Os agentes me trataram bem, são decentes, mas esse tira quis me agredir’’.
Para Collet, a prisão só tem um motivo: retaliação. Ele foi uma das vítimas e também o principal denunciante do golpe ‘‘3 por 1’’ (lavagem de dinheiro) e ‘‘golpe do chute’’ (compra de mercadoria de origem duvidosa). No ano passado, as denúncias resultaram no afastamento de policiais civis, entre eles o então delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Clóvis Galvão.
O empresário ainda não sabe se vai entrar com alguma medida judicial contra a Polícia Civil, em consequência da prisão.
Segundo o investigador Osmário Martins, superintendente da 2ª Subdivisão Policial de Paranaguá, o empresário foi vítima de uma ligação anônima no ‘‘disque-denúncia’’, na quinta-feira, dizendo entre outras coisas que Collet é traficante, utiliza uma caminhonete F-1000 ‘‘remarcada’’ (com alteração de chassis) e que o carro era utilizado no transporte de cocaína.
Segundo ele, não havia mandado de prisão, apenas uma solicitação para que o empresário acompanhasse os policiais.
Na delegacia, foi feita uma inspeção técnica no veículo e constatado que ele estava legal. Contra Collet também não foi encontrado nada. ‘‘Ainda pedimos desculpas a ele, mas a nossa função é essa.’’
Sobre a tentativa de agressão, o superintendente explica que o empresário quis passar em casa para mudar de roupa, já que estava de bermudão. Mas foi desestimulado pelos policiais porque isso iria aumentar as suspeitas.
Martins também afirma que não existiu, de forma alguma, retaliação por parte da polícia em função das denúncias que foram levantadas pelo empresário, no ano passado. ‘‘Isso não tem nada a ver, eu mesmo nem sabia do que tinha acontecido.’’

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