O gerente Rodrigo Portel César, 23 anos, formalizou ontem no 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM) uma queixa contra policiais do Pelotão de Choque por abusos cometidos durante ação na última sexta-feira. O pai dele, o professor e empresário Cirlando do Carmo César, 43 anos, disse que pretende processar os PMs envolvidos e também o delegado da Polícia Civil de Cambé, Valdir Abrahão.
Gerente e sócio-proprietário da firma de instalações elétricas e industriais comandada pelo pai, Rodrigo foi preso na noite de sexta em Cambé (13 km a oeste de Londrina). Ele teria sido abordado por PMs na rodovia BR-369 e apontado como comparsa num plano de assalto. Levado para a delegacia da cidade com outros quatro homens e uma moça, Rodrigo conta que foi vítima de espancamento, humilhações e forjamento de provas.
Segundo a versão do jovem, tudo começou quando o Choque deteve três homens, apontados pelo delegado como sendo Paulo Henrique Rei dos Santos e Robson Rosini, fugitivos da cadeia de Ibiporã, e Fabiano José da Silva, foragido da Colônia Penal Agrícola de Curitiba. Os três eram suspeitos de planejar um roubo em Cambé. Um policial teria então ligado para um número encontrado no celular de um dos presos e, fazendo-se passar pelo mesmo, pediu que o amigo fosse apanhá-lo.
Esse amigo teria solicitado ajuda a uma vizinha de Rodrigo para buscar um conhecido que teve o carro quebrado. A moça, por sua vez, pediu carona ao gerente. ''Ajudei porque ela era minha amiga, mas não sabia que o outro cara era bandido. Quando chegamos lá, a polícia disse que eu também fazia parte da quadrilha. Nunca vi aqueles homens'', garante.
''Se eu tentava me explicar para os policiais, apanhava. Se não falava o que eles queriam, apanhava também'', relata. De acordo com o rapaz, os agressores faziam parte de um grupo de aproximadamente 15 policiais do Choque, comandados pelo tenente Frank, que teriam tirado fotos suas e feito ameaças. Na delegacia, Rodrigo diz que os PMs tentaram colocar entorpecentes em sua carteira e fazê-lo dizer que eram suas. Outro detido acabou assumindo a posse da droga.
O gerente diz que também levou tapas no rosto do delegado Abrahão, antes de permanecer por mais de sete horas algemado e descalço num corredor. Formado em Administração, Rodrigo não tinha antecedentes criminais. Ele foi autuado por formação de quadrilha.
Sem conseguir falar com o filho ou com o delegado, o pai do rapaz conta que acionou advogados, levantou 30 declarações de empresários da cidade sobre a idoneidade de Rodrigo e obteve na Justiça um alvará de soltura no sábado. Ontem, ele retornou a Cambé e conseguiu reaver o veículo Veraneio com logomarca da empresa, com o qual Rodrigo foi preso. ''A polícia ainda falou que o nosso carro tinha sido usado naquele assalto de Ortigueira. Que bandido ia querer fugir num veículo ano 88 que anda a 100 km/h?'', questionou.

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