Empresário defende subsídio público a escolas de costura
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de julho de 1997
Célia Baroni 
Londrina
César AugustoHora da aulaAlunas de corte e costura na escola Kaefer: em busca da qualidade no produto finalSaber costurar bem pode ser a melhor opção para enfrentar o desemprego e ainda resolver a necessidade de economia dentro de casa. Essa é a opinião do empresário Nelson Kaefer, dono da escola de corte e costura Kaefer. Ele argumenta que, mesmo com os baixos preços das confecções importadas, a costura sob medida ainda é a mais conveniente e vantajosa.
Os preços dos tecidos estão baixos e, costurando para si mesma e sua família, a pessoa pode economizar mais de 50% do valor da mesma peça comprada em uma loja. Com a vantagem de ter qualidade no produto final, defende. Para ele, o pequeno número de boas costureiras na Cidade tem levado as pessoas a optar pelas peças prontas. As pessoas ficam seduzidas pelo baixo preço e esquecem a baixa qualidade e pouca durabilidade da roupa. Pior não percebem que quando a roupa não é feita sob medida fica feia no corpo, afirma.
Uma reclamação comum, afirma, é a dificuldade em encontrar uma costureira que acerte na costura. O empresário explica que grande parte dos profissionais que atuam na área atualmente aprenderam a costurar sozinhos ou através de métodos que utilizam moldes. Com este método, uma vez pronta, a roupa fica mais longa ou mais curta e precisa ser ajustada, perdendo o bom caimento, acredita.
Herdeiro do método Kaefer, criado há 50 anos pela sua mãe, Irma Kaefer, único a ensinar a costurar todo tipo de roupa a partir das medidas individuais da pessoa, o empresário afirma que o método que ensina a costurar por moldes não serve para quem costura. Principalmente no Brasil onde, devido a miscigenação de raças, os tipos físico diferem muito uns dos outros., esclarece.
Pelo método Kaefer, garante, a pessoa aprende desde colocar a linha na agulha da máquina, até fazer ternos sob medida, independente do tipo físico do cliente. Ele acredita que o poder público e a própria comunidade não estão avaliando a importância de estimular as pessoas a aprender a costurar, como uma alternativa de profissão. Uma boa costureira pode conseguir ganhar um salário melhor que muitos profissionais autônomos, dentro de sua casa e fazendo seus próprios horários, afirma.
O empresário defende que o poder público subsidie cursos profissionalizantes de costura. É uma forma de investir na melhora da qualidade de vida das pessoas e reduzir o desemprego na Cidade, diz. Ele ressalta que um bom curso fica caro. A sua escola, por exemplo, cobra matrícula de R$ 10,00 e uma mensalidade de R$ 50,00. As aulas de teoria e prática acontecem duas vezes por semana e duram três horas cada. Toda aluna tem uma máquina para trabalhar e três professoras acompanham cada turma.
Kaefer diz que, já nas primeiras aulas, a aluna começa a costurar peças. Muitas até conseguem pagar o curso com o que costuram durante as aulas, supervisionadas pelas professoras. Mesmo assim, lamenta, grande parte das interessadas acabam desistindo do curso por não poder pagar a mensalidade. O custo de manutenção do curso é alto e, infelizmente, a única forma de reduzir a mensalidade seria o subsídio por algum órgão público.


