Empresário defende oportunidades para todos
Adão Bonin, dono da loja de presentes onde Barbara Palma trabalha, possui uma visão diferenciada da maior parte dos empresários. Ele garante que não deu a oportunidade de emprego à sobrinha apenas pelo parentesco entre os dois. Assim que ela terminar o estágio, a loja estará aberta para que outros portadores de deficiência intelectual possam trabalhar por aqui,
declarou.
Ele defende oportunidades iguais para todos, independentemente das capacidades. Vejo a alegria e o sorriso no rosto destas pessoas quando se abre uma porta, comentou. Segundo ele, Barbara, que trabalhou no fim do ano no preparo de pacotes e na recepção de clientes, superou as minhas expectativas como patrão. Esta oportunidade ajudou a abrir a cabeça dela, que passou a ganhar seu próprio dinheirinho.
Para Bonin, no entanto, ainda há muito preconceito dos empresários com os trabalhadores portadores de deficiência. Muita gente ainda acha que contratá-los irá prejudicar o movimento do comércio ou o andamento das atividades.
Dona de uma lanchonete na Zona Oeste de Londrina há duas décadas, Cleizemar Cremasco, a Nenê, aceitou o desafio de contratar um portador de Síndrome de Down como parte da equipe e há seis anos tem em Gregório de Castro Vicentini um de seus melhores funcionários.
Falam em inclusão, mas a história do Gregório é um sonho: foi ele quem veio me pedir um emprego. Na primeira oportunidade, liguei para a família e disse que a vaga era dele, recordou Nenê, citando que Gregório passou por vários estágios, desde a higienização de alimentos e embalagem dos lanches, até chegar ao posto de atendente que ocupa hoje. Ele se encontrou em meio ao público, assinalou a patroa.
A adaptação do funcionário à dinâmica do negócio e à equipe foi tranquila, segundo Nenê. Ela garante que o rapaz tira de letra o preconceito que algumas vezes cruza o caminho. Cada um tem suas limitações e aqui ele é tratado como igual, é elogiado e leva bronca como todo mundo. Como empresária, é uma grata satisfação tê-lo na equipe, pois ele é um exemplo para os demais. No fundo, nós aprendemos mais com ele do que ele aprende conosco, confessou a patroa, que há dois anos perdeu uma irmã que também era portadora da Síndrome de Down.
Para a empresária, ainda há um certo medo do desconhecido entre os empresários. Acho que as empresas dificultam a entrada desses profissionais no mercado, talvez por falta de informação. Independente da síndrome, eles têm capacidade. Cabe à empresa ampliar sua visão, dar oportunidades e descobrir o potencial de cada funcionário, ensinou Nenê. (M.G.)





