Empresário de Londrina é morto no MS
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de julho de 2005
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Choque e incompreensão marcaram ontem o velório do empresário londrinense Ismael Salim Júnior, de 41 anos, e de sua mãe, Dorcas Amaral Salim. Os dois foram encontrados anteontem, carbonizados, dentro do carro do empresário, que foi incendiado, na fazenda de propriedade da família, na cidade sul-matogrossense de Naviraí, a 350 km da capital Campo Grande e a 70 km da divisa com o Estado do Paraná. O principal suspeito pelo duplo homicídio, Valdir dos Santos, foi preso ainda na manhã de ontem pela Polícia Civil da cidade. Ele é ex-funcionário da fazenda de Salim e cunhado do atual administrador.
De acordo com informações divulgadas ontem pela Polícia Militar do Mato Grosso do Sul, o carro do empresário - um Mitsubishi Pajero - foi localizado em chamas por vigilantes de um canavial da Fazenda Ceitaporã. Acionados pelos vigilantes por volta das 20 horas de domingo, os bombeiros controlaram o incêndio, localizando os corpos em seguida. A identificação inicial dos londrinenses foi feita graças a documentos salvos pelos bombeiros. ''Salim estava no banco do motorista e a mãe do empresário estava atrás'', descreveu o delegado de Naviraí, José Eduardo Rocha.
Ainda segundo o delegado, uma perícia realizada nos corpos localizou dois ferimentos feitos à bala na cabeça de Dorcas e um na de Salim. ''Visitamos o local do crime durante a madrugada e encontramos indícios de tocaia. O carro foi encontrado na segunda porteira de entrada da fazenda, com marcas que indicavam que o empresário estava chegando na propriedade'', continuou.
A prisão de Santos aconteceu por volta das 11h30 de ontem, após interrogatórios realizados com o administrador da fazenda. ''Ele nos contou para quem havia comentado sobre a visita do empresário e chegamos até o cunhado dele, Valdir dos Santos. Nós o encontramos no Centro de Naviraí. Ele confessou o crime, dizendo que queria somente assustar o empresário e que estava bêbado'', contou Rocha. A arma utilizada no crime, um revólver calibre 38, também foi apreendida.
Santos é ex-funcionário da Fazenda Ceitaporã e, segundo o delegado, já havia sido demitido duas vezes. A demissão, de acordo com a irmã de Salim, aconteceu de forma amigável. ''Meu irmão não tinha inimigos e sempre resolveu as coisas com conversa'', explicou Idê Salim Felício. O delegado disse ainda que o administrador da fazenda, identificado apenas como David, também foi preso, para que uma suposta cumplicidade no crime seja investigada.
Ismael Salim Júnior era um empresário bastante conhecido em Londrina. Era dono de uma incorporadora, de um hotel e de várias propriedades rurais no Mato Grosso do Sul. Segundo o delegado de Naviraí, apesar de ser conhecida pelas constantes invasões de terra, a região sempre gozou de relativa tranquilidade. ''Meu irmão sempre se deu bem com todos. A morte dele e da minha mãe são simplesmente incompreensíveis'', disse, durante o velório, a irmã do empresário. ''Recebemos uma ameaça de bomba no nosso hotel semana passada, mas não acredito que isso tenha relação com o crime, pois a ligação foi feita do Rio de Janeiro'', contou. Os corpos de Dorcas e Salim chegaram a Londrina ontem pela manhã e foram enterrados no final da tarde, no Cemitério Municipal São Pedro (Área Central).


