'Empresário da fé' tem US$ 8 bi
Empresário da fé tem US$ 8 bi
Sun Myung Moon, um coreano de 79 anos, é considerado um dos homens mais ricos do mundo, com uma fortuna avaliada em US$ 8 bilhões. Formado em engenharia eletrônica, ele nunca exerceu a profissão. Em 54, fundou a Associação do Espírito Santo para Unificação do Cristianismo Mundial e iniciou sua trajetória meteórica no mundo da fé. Ele se diz um novo messias e com este discurso arrebanha milhões de fiéis ao redor no mundo. E sua fortuna pessoal cresce na mesma proporção.
No final dos anos 70 e início dos 80, a Associação atravessou problemas em vários países do mundo. Além de acusações de sonegação fiscal, o reverendo Moon era acusado de realizar lavagens cerebrais entre jovens para torná-los seus seguidores. Em várias cidades brasileiras, familiares de adeptos que teriam sofrido lavagem cerebral apedrejaram sedes de suas igrejas e expulsaram pastores. Em Londrina, isso ocorreu com a sede da seita Moon que funcionava na rua Visconde de Mauá, no Shangri-lá, até o início da década de 80.
Em 90, Moon fundou a Associação pela Unificação da Paz Mundial, com base nos Estados Unidos, onde em 97 abriu uma monumental igreja na cidade de Washington, e ramificações em vários países. Desde então, vem aplicando milhões de dólares no Brasil e na América do Sul. Nem os moradores de Jardim, nem as autoridades sabem ao certo porque Moon escolheu o Mato Grosso do Sul para construir sua grande sede brasileira. Mas, todos sabem que os planos do reverendo não são nada modestos. Segundo o presidente Yoon Sang Kim, líder da seita no Brasil e braço-direito de Moon há 37 anos, o reverendo pretende transformar a região de Jardim e Bonito num centro mundial de pesquisas. Ele diz que outra de suas missões é implantar uma universidade no município para atender às classes pobres.
De acordo com Kim, Moon quer criar um modelo de desenvolvimento para o Brasil e transformar o país numa grande potência, a exemplo do que aconteceu com a Coréia do Sul. Os sul-coreanos há 30 anos eram bem mais pobres que os brasileiros e o país hoje se destaca como grande potência. A idéia é implantar aqui um movimento com novas ideologias e colaborar para o crescimento do Brasil, afirma Kim.
Na lista dos projetos da Associação, consta ainda reflorestamentos e investimentos na área de cultura, no setor agrícola e na pecuária. O Brasil possui toda a característica para ser um fornecedor mundial de alimentos, diz Kim. Moon também quer adquirir um jornal no Brasil. Já temos mais de 60 jornais em todo o mundo, com filiais no Uruguai e na Argentina, e agora pretendemos trazer uma filial para o Brasil, revelou. Os seguidores de Moon conhecem a importância da mídia. Há constantes rumores no Estado sobre seus investimentos em alguns jornais. Concretamente, a seita paga todos os custos de produção da revista Aranda, uma publicação de arte, ciência e literatura, que circula há três anos na cidade de Dourados. Em troca, a revista publica eventualmente reportagens sobre Moon.
Para tantos projetos, é claro que Moon investe muito dinheiro. De onde vêm estes milhões que o Moon aplica no Brasil? A pergunta do padre Rooswelt Medeiros, da paróquia de Bonito, também intriga as autoridades da região. No último ano, os negócios que Moon mantinha na Coréia e nos Estados Unidos fracassaram. No ano passado, o jornal Gazeta Mercantil fez uma devassa na situação econômica dos empreendimentos de Moon e constatou que quatro empresas do Tong II Group (grupo do reverendo) protocolaram pedidos de liquidação judicial em Seul. Uma quinta empresa do grupo, a II Hwa, fabricante de refrigerantes, havia falido alguns meses antes. O colapso desta empresa significou o fim de um empreendimento considerado um dos 30 maiores chaebol da Coréia do Sul, conglomerados familiares que dominam a economia daquele país.
O grupo chegou à situação de falência por acumular muitas dívidas e nenhum lucro. O problema tinha uma agravante: a má administração da igreja da Unificação. Em 97, as 17 empresas do grupo Tong II contabilizam dívidas de 2 trilhões de wons (cerca de US$ 1,2 bilhão), o correspondente a 19 vezes o valor do patrimônio do grupo. Moon, que só entra no Brasil com visto de turista, já ficou preso durante um ano e meio nos Estados Unidos, por sonegação fiscal e foi preso outras quatro vezes pelo mesmo motivo. São constantes os rumores de que parte de sua fortuna foi adquirida através do tráfico de drogas e ele já foi investigado diversas vezes por isso.





