Marcos BorgesSem drenoArthur Fernandes, na BR-369: água do canteiro vai para pistaO empresário Arthur Carlos Fernandes, dono de um motel na avenida Brasília (BR-369), procurou a Folha esta semana para reclamar do canteiro central que divide as duas pistas da rodovia entre Londrina e Ibiporã. Segundo ele, não existe escoamento no canteiro e toda água da chuva vai parar na pista, o que pode estar provocando muitos acidentes.
‘‘Aqui pára de chover mas a água continua escorrendo. Só ali naquela curva eu já vi morrer umas dez pessoas na pista’’, diz. Para ele, o canteiro foi feito sobre o asfalto e por isso a terra não dá conta de toda a água. Ele acrescenta que, durante a noite, a situação fica ainda pior, principalmente nas curvas, com a baixa visibilidade.
‘‘Nesses lugares é fácil o motorista perder o controle do veículo e entrar nos postes de iluminação, no meio do canteiro’’, comenta Fernandes. Durante o trecho, é possível perceber que vários postes foram trocados recentemente.
Para ele, a solução do problema é simples: ‘‘Era só furar o asfalto, dentro do canteiro, que a água descia. Mas ninguém faz nada e fica esse perigo a풒, acrescentou o empresário. Outro problema, apontado por ele, são algumas ‘‘tartarugas’’, ou blocos de concreto, colocados para dividir a pista, na região do Grêmio Londrinense. ‘‘Isso aí deve ser ilegal. E se não for é um contra-senso.’’
Apesar de ser uma rodovia federal, as obras de alargamento da BR-369, entre Londrina e Ibiporã, foram realizadas pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), do Governo Estadual, através de um convênio assinado entre Estado e União. Segundo o engenheiro supervisor de obras do DER, Elson Miranda, todas as precauções para evitar que se formassem ‘‘lâminas’’ de água na pista - o que poderia provocar acidentes -, foram tomadas.
Entre essas medidas, Miranda destaca um dreno para canalizar a água, a impermeabilização da parte interna do meio-fio e a compactação da argila, que impediriam que a água passe para pista.
Miranda acrescentou que as ‘‘tartarugas’’ na pista próxima ao Grêmio Literário foram colocadas, no ano passado, pela Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), para ajudar a disciplinar o trânsito na região, onde antes havia muitos acidentes. Essa interferência na rodovia não seria ilegal porque trata-se de perímetro urbano.
O engenheiro Robson Kenji Saito, chefe substituto da Regional de Londrina do Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER), acrescentou que ainda não foi protocolada nenhuma reclamação de excesso de água no trecho da pista. ‘‘Acreditamos que não seja esse o fator predominante para ocorrência de acidentes. Existem outros motivos, como por exemplo o excesso de velocidade’’, apontou.
Segundo ele, tecnicamente o canteiro precisaria de um dreno profundo, como foi apontado pelo engenheiro do DER. Mas quando chove muito, como nas últimas semanas, o canteiro pode até encharcar e jogar um pouco de água na pista. ‘‘Mas em questão de engenharia a pista está em perfeitas condições’’.
Robson Saito disse também que hoje já vigora novo convênio, repassando o controle das rodovias federais ao Estado. ‘‘Apesar disso, estamos assumindo a conservação. Não estamos nos omitindo, mas a responsabilidade é tanto do DNER quanto do Estado.’’

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