Empresário critica demora do Incra na apuração de desvio
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terça-feira, 23 de setembro de 1997
Lucília Okamura 
Londrina
Paulo WolfgangAcusaçãoO empresário José Carlos Tibúrcio: O que está sendo feito com o dinheiro da reforma agrária?A demora na apuração do desvio de R$ 255.042,00 por um funcionário do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) está sendo criticada pelo empresário e membro do Conselho de Administração da Sociedade Rural do Paraná, José Carlos Tibúrcio. Ele diz que obteve ontem provas do desvio, ocorrido no início de 1996.
Os recursos desviados fazem parte de um convênio assinado em 1995 entre o Incra do Paraná e a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, para a recuperação e construção de estradas em 10 projetos de assentamento, totalizando 96,19 quilômetros. Segundo Tibúrcio, a verba veio do Incra de Brasília através do Banco do Brasil e deveria ser repassada à Secretaria.
Mas o dinheiro foi retirado pelo funcionário de Incra chamado Hélio DAmico Júnior, através de cheque administrativo. Segundo o empresário, em maio de 96 o Incra solicitou à Polícia Federal a instauração de um inquérito para apurar o caso. Mas, passado mais de um ano, nada foi feito até agora, afirma Tibúrcio. O funcionário sumiu com o dinheiro e ainda continua trabalhando no Incra, acusa. Ele diz ter conseguido, através de uma fonte, cópias de documentos que comprovam o desvio.
Tibúrcio afirma que o fato do desvio ter ocorrido no Paraná, onde o setor agrícola é bem estruturado, faz imaginar que problemas semelhantes podem estar acontecendo também em outros Estados. O que está sendo feito com o dinheiro que deveria ser usado na reforma agrária?, questiona. Ele lembra que o Incra tem um orçamento anual de R$ 1,8 bilhão para a reforma agrária e pergunta para onde está indo este recurso.
Por entender que o Incra não está cumprindo seu papel, Tibúrcio defende a instauração de uma CPI para verificar o destino dos recursos do Incra. Ele diz que está entrando em contato com outras Sociedades Rurais e pretende enviar abaixo-assinados à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal para alcançar este objetivo. O empresário vai mais longe e diz defender até a extinção do Incra.
Tibúrcio não chega a acusar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) de estar envolvido no caso, mas diz estranhar a sua omissão. Eles são sempre os primeiros a invadir o Incra e a Secretaria da Agricultura quando acontece alguma coisa. Será que eles não tomaram conhecimento disso?, observa.
Rogério Mauro, da coordenação estadual do MST, informa não ter conhecimento do fato. Se houve desvio, somos os principais interessados para que se apure o caso até o fim. Somos os principais prejudicados, afirma.
A superintendente do Incra, Maria de Oliveira, confirma o desvio, mas afirma que ninguém foi prejudicado. Ela explica que o funcionário acusado está afastado do órgão há cerca de três ou quatro meses e responde a processo na Procuradoria Geral do Incra, em Brasília, e poderá ser desligado definitivamente.
Maria de Oliveira relata que o dinheiro foi retirado do BB, mas o próprio banco se encarregou de depositar a quantia novamente para a Secretaria da Agricultura. Segundo a superintendente, o BB instaurou sindicância para apurar o fato. O caso está sendo investigado também pela Polícia Federal através de ação criminal. Não está havendo atraso na apuração do caso, tomamos todas as providências necessárias, afirma.
Sobre as acusações do empresário de que o Incra não está cumprindo seu papel, Maria de Oliveira diz não ter medo de nada. Já que ele não acredita na minha palavra, que pergunte então ao ministro da Reforma Agrária, Raul Jungman, o que está sendo feito.


