Empresário cria associação
que reúne vítimas de assalto
Em apenas um dia,
entidade recebeu
79 adesões de
assaltados
Guilherme Vieira

Arquivo Folha
Luta por delegacias mais equipadas é um dos objetivos da associaçãoDepois de ser assaltado cinco vezes em 90 dias, com prejuízo de R$ 15 mil, e ver a filha de 22 anos ter que entregar o carro para um assaltante às três horas da tarde, o empresário do ramo de hotelaria Rubinho Ferreira, 54 anos, resolveu criar a Associação das Vítimas de Assalto de Curitiba. A onda de violência que assola a cidade garante o sucesso da empreitada, que somente ontem, no primeiro dia de funcionamento, recebeu 79 adesões, deixando o telefone da residência da família ocupado o dia todo. ‘‘Se tivéssemos mais linhas, com certeza teríamos conseguido a participação de mais pessoas’’, comemora o empresário. Ferreira diz que é hora de afugentar o sentimento de impotência que caracteriza as vítimas de assalto e pressionar as autoridades. ‘‘O objetivo é reunir 300 mil pessoas e desenvolver sugestões para o governador do Estado.’’
Os integrantes da associação não vão ter que pagar nenhuma mensalidade, mas terão como único compromisso reunir-se periodicamente para avaliar o trabalho do grupo. Animado com o apoio da comunidade, Ferreira disse que entre as sugestões que devem ser colocadas para aprovação entre os associados está o repasse de mais recursos para a área de segurança. ‘‘Os salários dos policiais são ridículos e deviam ser elevados para pelo menos R$ 2 mil, o contingente das polícias é quatro vezes menor do que o necessário, os equipamentos não existem e as delegacias estão em péssimos condições’’, reclama.
O primeiro - O primeiro candidato a sócio é o administrador de empresas Flávio Guerini, que teve sua empresa assaltada e u carro roubado somendo prejuízos de cerca de R$ 20 mil. ‘‘Quando acordei e peguei o jornal com o telefone da associação pensei: eu sou um deles’’.
Guerini conta que pior do que ter sido assaltado foi ter que dar queixa ‘‘apenas para engrossar estatísticas, uma vez que nada aconteceu e o descaso com quem vai até as unidades policiais é grande demais.’’ Assaltado seis vezes, Guerini acredita que as autoridades deveriam modificar o conceito de policiamento tem que mudar, porque as delegacias estão falidas, enquanto os impostos estão sendo pagos em dia.

mockup