O empresário Devanir, dono da Paranaguá Cabines, de Maringá, disse ontem à Folha que as duas cabines de caminhão Scania que comprou do empresário Roberto Grison são peças restauradas e que a transação comercial foi feita através de notas fiscais. Grison é cunhado do empresário Mauro Nunes Osório, preso em flagrante na semana passada com cinco cabines irregulares e chassi de caminhão com número de série raspado.
Osório e Grison são sócios da Oficina da Lata, empresa que revende cabines. Foi lá que, através de denúncia anônima, a polícia encontrou as peças irregulares. Grison também é proprietário da empresa Sulcania - Comércio e Representações de Peças para Veículos Ltda. Ele mostrou a nota fiscal emitida pela Sulcania, onde consta a venda de duas cabines sinistradas modelo Scania pelo valor unitário de R$ 3 mil.
No depoimento à polícia, Osório disse que, a pedido dele, seu cunhado Grison teria comprado 12 cabines em São Paulo para a Oficina da Lata. A reportagem publicada ontem na Folha mostrou que, ainda segundo o depoimento de Osório à polícia, Giacopini teria comprado duas dessas cabines. As afirmações de Osório constam de relatório da prisão em flagrante feito pelo escrivão Antônio Corbelo, da 9ª Subdivisão Policial de Maringá.
Giacopini explicou que, quando uma empresa recupera uma cabine de caminhão acidentado (ou sinistrado), a plaqueta de identificação da peça é arrancada para que a seguradora possa dar baixa nos documentos originais da cabine. Quando a peça é segurada, ela passa a ter um novo número de identificação. Giacopini disse ainda que a sua empresa é credenciada junto a todas as seguradoras do setor. ‘‘Se eu vendesse peças irregulares não conseguiria credenciamento junto às seguradoras’’.

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