No último dia 15, completou um ano que o empresário Luiz Roberto Ferrari doou um terreno de 17 mil metros quadrados para o governo do Estado construir a nova Cadeia Pública de Londrina. Ontem, durante uma reunião com o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Wanderci Corral Fernandes, o empresário afirmou que anulará a doação caso o governo não licite a construção da obra até o final deste ano.
‘‘Quando doamos a área, o fizemos como londrinense preocupado com a solução do problema da insegurança em nossa cidade. Nosso objetivo era que se construísse a nova Cadeia lá rapidamente. Mas um ano já se passou e o governo parece desinteressado’’, comentou Luiz Ferrari. ‘‘Secretários estaduais vieram aqui duas ou três vezes e só renovaram as promessas com novos prazos. Até agora, nada de prático foi feito para a construção. Vamos esperar apenas mais dois meses. Se até o final do ano as obras não forem sequer licitadas, vamos anular legalmente a doação e retomar nosso terreno, que está lá parado sem utilização.’
A reunião com Wanderci Fernandes foi solicitada por diretores da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e do Conselho Municipal de Segurança, que foram falar da preocupação com a superlotação e constantes fugas de presos nos Distritos da Polícia Civil e com a demora do governo do Estado em iniciar a construção da nova Cadeia Pública.
O presidente da Acil, Abílio Medeiros Júnior, aproveitou para dizer que não foi reclamar ao delegado-chefe da atuação da Polícia. ‘‘A culpa pela situação de insegurança em que vive a cidade não é da Polícia, que trabalha bastante. O problema é que ela conta com pequeno efetivo e poucos recursos materiais para desenvolver melhor serviço. Não tem condições de prender mais; e quando prende não tem lugar seguro para manter os presos, que logo fogem’’, comentou.
Segundo ele, londrina corre o risco de passar a ser conhecida nacionalmente como uma cidade em que reina a insegurança, com as constantes notícias de fugas dos distritos. ‘‘Não adianta nada os empresários e a população trabalharem duro, se a imagem que passamos é de uma cidade prestes a ser dominada por bandidos. Esta questão só será resolvida com a construção da nova Cadeia, mas parece que ela não é prioridade para o governo do Estado’’, ressaltou Abílio Medeiros Júnior.
Na opinião do presidente da Acil, o que falta para a construção da nova Cadeia é vontade política. ‘‘Vá ver se esta situação acontece em Curitiba. Lógico que não, porque o pessoal do governo reside lá. Lá não faltam policiais, delegacias, vagas nas penitenciárias, automóveis e equipamento para a Polícia. Dizem que o governo não tem recursos para a obra. Isto é balela. O que seria gasto, cerca de R$ 1 milhão, é muito pouco dentro da arrecadação do Estado. O que falta é prioridade e vontade política para a construção.’
Nova reunião com entidades que reivindicam a construção da Cadeia Pública está programada para a tarde de sexta-feira, na sede da Acil. Nela, vai ser formada uma comitiva que pretende ser recebida em audiência pelo governador Jaime Lerner (PFL), em Curitiba na próxima semana, para tratar do assunto. ‘‘Não queremos mais negociar com secretários, que só nos enrolaram durante um ano e não resolveram o problema. Queremos ouvir do Lerner se o governo vai ou não construir a Cadeia. Porque se a resposta for negativa, o empresário vai anular a doação e voltaremos tudo à estaca zero. E isto, não podemos admitir’’, comentou Abílio Medeiros Júnior.
A reportagem da Folha não encontrou ninguém para falar sobre o assunto ontem, na Secretaria Estadual de Obras, em consequência do feriado relativo ao Dia do Funcionário Público, que teve a comemoração antecipada de hoje para ontem pelo governo do Paraná.

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