Londrina

Josoé de CarvalhoPaciência esgotadaO empresário Sérgio Campinha e o Escort: ‘Eu me rebaixei, me humilhei, mas não aceitaram troca’O empresário do setor de computação gráfica Sérgio Rodrigues Campinha fez financiamento bancário e comprou um Escort GLI 1.8, da Ford, em maio de 96. Segundo ele, o que poderia ter sido a realização de um sonho - possuir um automóvel zero km - logo se transformou em pesadelo. ‘‘No primeiro dia de uso apareceu um defeito no sistema de injeção eletrônica. De lá para cá, minha vida virou um caos. Com menos de 30 dias, a bateria do Escort importado da Argentina simplesmente estourou, vazou e me deixou a pé num domingo. Os defeitos foram surgindo quase todos os meses.’’
Ex-projetista de mecânica industrial por 12 anos, Sérgio Campinha não se conforma com a quantidade de defeitos apresentados pelo Escort e com a qualidade do atendimento a ele dispensado na concessionária Maracaju, autorizada da Ford em Londrina. ‘‘A revendedora Aravel, de Arapongas, onde recebi o automóvel, sempre me atendeu bem. Mas depois que passei a usar os serviços da Maracaju, tudo se complicou. O problema na embreagem - que fazia raspar o câmbio toda vez que usava a marcha a ré - levou um ano para ser resolvido’’, afirma.
De acordo com ele, as dificuldades aumentaram depois que expirou o prazo de garantia, em maio deste ano. ‘‘Começaram a aparecer pontos de ferrugem na lataria. A ferrugem corroeu e provocou um rombo no escapamento. Há três semanas, um vazamento na caixa de direção fez meu carro rodar na estrada e, por pouco, não sofro um acidente grave’’, reclama Sérgio Campinha.
O empresário mostra correspondências em que reclama da qualidade do automóvel e tenta negociar acertos com a direção da Maracaju e da fábrica Ford em São Paulo desde fevereiro deste ano. Segundo ele, nunca deram retorno com soluções concretas. ‘‘Os problemas do carro, que eram grandes desde que chegou da fábrica, aumentaram depois que sofri a batida de uma motocicleta que amassou a lataria do capô e quebrou o vidro pára-brisa. A reforma realizada na Maracaju, mal feita, resultou em problemas novos’’, diz.
‘‘O Escort saiu da funilaria da Maracaju com uma série de defeitos na pintura, no pisca-pisca, no volante, no retrovisor, no pára-brisa. A mangueira do reservatório de óleo da caixa de direção - que é hidráulica e tem uma perigosa folga - também estourou’’, lembra Sérgio Campinha, explicando que procurou a Procuradoria de Defesa do Consumidor (Procon) e foi aconselhado a negociar um acordo amigável. ‘‘Disseram-me que este seria o melhor caminho. Talvez, porque considerem que seja difícil brigar com uma fábrica multinacional.’’
Ele conta que, depois de ter esgotada a paciência com dezenas de tentativas de conserto do Escort - ‘‘Na fábrica e na Maracaju, dizem que não podem fazer mais nada porque venceu a garantia’’ - propôs a troca do carro por um modelo Ka 1.3. ‘‘Me rebaixei, me humilhei, pagaria a diferença, mas não aceitaram a troca. Para mim, o automóvel é uma ferramenta de trabalho. Ter um Escort só me trouxe transtornos e decepção. E o tratamento que recebi me causou profunda indignação’’, ressalta Sérgio Campinha.
O empresário afirma que não sente nenhum prazer em divulgar os problemas causados pela compra do Escort, hoje com 47 mil km rodados, que ainda não vendeu ou trocou por outra marca porque falta pagar sete prestações do financiamento bancário. ‘‘Faço estas denúncias não para aparecer, ou prejudicar a imagem da marca Ford. Mas porque tive esgotada a minha paciência, em quase um ano e meio de sucessivos problemas mal resolvidos. Falo para demonstrar minha insatisfação e alertar os consumidores para que tomem cuidado. Inclusive, se alguém está pensando em comprar um Escort, ofereço o meu para que ele conheça o carro e faça antes um teste. Assim, poderá evitar aborrecimentos futuros.’’

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