Empresária pagou a vista e obra não saiu do chão
Os casos de pessoas que tiveram o sonho de morar em imóvel próprio frustrado por causa da crise na construção civil se acumulam na Justiça e nos vários órgãos de defesa do consumidor de Curitiba. A imagem de esqueletos de edifícios abandonados tem se tornado cada vez mais comum na cidade. Por trás desse perfil desanimador existem histórias de projetos de vida interrompidos ou atrasados, prejuízos e longas batalhas na Justiça.
Em 93, a micro-empresária Ana Paula Nonino se separou do marido e resolveu vender o confortável apartamento em que vivia no bairro Champagnat, por não ter mais condições de continuar pagando o financiamento. Com a venda desse imóvel e de seu carro, ela comprou ainda na planta e pagou a vista, outro apartamento de 190 metros quadrados da construtora Space House, no Ahú. O prazo de entrega era de até dois anos.
O tempo passou e Ana percebeu o problema que ia enfrentar. Eles nunca sequer começaram a obra, conta ela, que só pôde entrar na Justiça para exigir seus direitos depois que o prazo de entrega do apartamento expirou. Depois de uma batalha judicial de dois anos, ela só conseguiu que a empresa lhe entregasse a propriedade do terreno onde deveria ser construído o prédio de seis andares. O terreno vale R$ 87 mil, mas não se consegue vender por mais de R$ 60 mil, enquanto o apartamento valeria hoje R$ 130 mil, queixa-se.
Quatro anos depois de ter feito o negócio, Ana ainda vive até hoje com seus dois filhos - um garoto de cinco anos e uma menina de seis - num apartamento alugado no bairro Cabral. Pago R$ 980,00 por mês de aluguel e ainda devo R$ 25 mil para o advogado, por conta do processo, diz ela.
Entre os casos em andamento no Procon, está o do edifício Nho Quim, erguido pela construtora de mesmo nome no bairro Novo Mundo. A obra, de 168 apartamentos divididos em três torres de 12 andares, deveria ter sido entregue em 94 mas só ficou pronta dois anos depois, em janeiro de 96. A construtora culpa a inadimplência que teria sido de mais de 50% depois do Plano Real. A empresa quase quebrou, diz o engenheiro Fernando Fedechen. Segundo ele, o problema foi resolvido depois de muita negociação com os moradores, mas até hoje cerca de 40 apartamentos do edifício continuam vazios.





