Empresária é acusada de racismo
Lino Ramos
De Londrina
Especial para a Folha
O Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina ingressou ontem com uma representação criminal por racismo contra Antônia Batista Bore, 38 anos, proprietária da Rodil Madeiras e Material para Construção. A acusação de racismo partiu do operário Antonio Carlos de Oliveira, 25 anos.
Oliveira trabalhava na empresa há dois meses. Ele contou que ontem, ao chegar à Rodil, por volta das 7h40, o filho do proprietário, chamado Marcelo, começou a criticá-lo por causa de um risco na cabine de um caminhão. Antonio Oliveira disse que não havia danificado o veículo e houve uma discussão.
O dono da empresa, chamado Ambrósio, retirou o filho do local mas o rapaz ainda teria, segundo ele, acertado um chute em Antonio Carlos. Foi quando a esposa do proprietário teria começado a ofendê-lo. Ela me chamou de negro vagabundo, preto safado e falou que eu não valia nada. Eu sou um pai de família, tenho um filho de um ano e nove meses, sou trabalhador e nunca fui tão ofendido, lamentou Oliveira.
O operário, que fez aniversário ontem, procurou o módulo da Polícia Militar no Terminal Urbano para registrar o fato. Durante a conversa com os policiais, Antonio Carlos de Oliveira chorou muito. Depois, ao relatar os fatos à Folha, voltou a se emocionar.
Antônia Batista Bore, 38 anos, afirma que tentou separar uma briga do filho Marcelo com Antonio Carlos e durante a confusão sofreu ferimentos no braço. Nervosa, teria xingado o rapaz mas sem ofendê-lo racialmente. Estou com o braço roxo, entrei na briga para tentar evitar a confusão. Na hora da raiva eu xinguei ele de safado e sem-vergonha. Antônia Bore garante que não usou as expressões preto, safado e preto sem-vergonha.
O secretário-geral do Centro dos Direitos Humanos de Londrina, Jorge Custódio Ferreira, ingressou com a representação criminal com base na lei 7.716, de 5 de janeiro de 89, que prevê uma pena de um a três anos de cadeia e multa para quem praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, etnia, religião ou procedência.
Pela versão de Antonio Carlos de Oliveira, Custódio entende que houve uma agressão racial e o caso também é passível de danos morais. Como o incidente ocorreu no ambiente de trabalho, o secretário do CDH acredita que caberá uma indenização trabalhista. Segundo ele, Oliveira trabalhou 1 mês e meio sem carteira registrada e estava contratado em experiência de maneira irregular.Operário recorreu ao Centro de Direitos Humanos alegando agressão racial; discussão teria ocorrido no local de trabalho
Josoé de CarvalhoREVOLTAOliveira: Ela me chamou de preto safado e falou que eu não valia nada. Sou pai de família e tenho filho





